Utrale prepara-se para Consecitrus
O Consecitrus deu na terça-feira seu primeiro passo para a criação de um mecanismo para nortear a formação dos preços da laranja fornecida para a fabricação do suco, a exemplo do que acontece na cana (Consecana). A indústria processadora, no entanto, prepara-se para fazer adaptações nas fábricas com objetivo de padronizar o sistema de coleta de dados.
A Cutrale, por exemplo, prevê investimento de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões em suas cinco unidades para fazer as adaptações. A expectativa é aplicar US$ 500 mil por unidade em média para realizar os ajustes. A ideia é deixar as fábricas brasileiras com níveis tecnológicos semelhantes aos que a empresa já tem nos EUA, onde um sistema parecido com o Consecitrus já é utilizado. Uma das mudanças necessárias será na máquina que separa as amostras das frutas. Enquanto nos EUA os "amostradores" são aprovados pelo Food and Drug Administration (FDA), no Brasil não existe um padrão.
"O Consecitrus tende a mudar o perfil da citricultura brasileira nos próximos anos, o que envolve produtores e indústrias. O sistema vai pensar na produtividade dos pomares", afirma Carlos Viacava, diretor corporativo da Cutrale.
Segundo o executivo, a indústria vai comprar laranja pensando nos sólidos solúveis - matéria-prima para o suco concentrado - das frutas. Dados de produtividade da Cutrale, mensurados nos últimos seis anos, mostram que existem diferenças importantes entre variedades e regiões produtoras.
De acordo com esses dados, são necessárias 313,4 caixas de laranja da variedade Hamlin colhidas em Avaré (SP) para se produzir uma tonelada de suco concentrado e congelado. Os produtores da região de Olímpia (SP), porém, precisam de 264,7 caixas para obter uma tonelada de suco concentrado, ou seja, uma diferença de quase 20% para a mesma variedade, apenas em regiões diferentes.
"O setor passará por um processo de profissionalização que outros segmentos do agronegócio já tiveram. Creio que os pomares serão mais adensados, usarão irrigação e terão vida útil de 10 a 15 anos", afirma Viacava. (AI)