Eficiência e logística no foco do agricultor
Eficiência econômica e logística serão mais uma vez metas percorridas pelos produtores brasileiros no ciclo 2006/07. Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da
Segundo Mendonça de Barros, o comportamento do câmbio também será motivo de preocupação. Ele não prevê grande desvalorização do real frente ao dólar. "Não vamos mais ver dólar a R$ 2,80, a menos que haja uma forte crise no exterior", disse. Ele observou que, nos últimos dois anos, câmbio desfavorável e problemas climáticos e sanitários "comeram" boa parte do capital de giro do setor. Conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a renda do setor encolheu em R$ 24,8 bilhões (ou 12,9%) nos últimos dois anos, para R$ 167,3 bilhões.
Para a safra 2006/07, Mendonça de Barros prevê melhora nos segmentos de cana-de-açúcar e soja, graças à demanda por biocombustíveis. "Também deve haver melhora no mercado de carnes, com o fim de alguns embargos e a retomada das exportações", afirmou. Ele acredita que nos estados do Centro-Sul a recuperação será mais rápida do que nas demais regiões, devido às facilidades logísticas e proximidade com portos.
Para Paulo Manoel Protasio, presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (Anut), a melhoria da estrutura logística é outro fator "fora da porteira" que se mantém como desafio. Na área rodoviária, 80% dos 45,5 mil quilômetros de estradas encontram-se em situação precária ou ruim. Para melhorar as condições dessas vias é necessário investimento de R$ 9,61 bilhões e o governo propõe investir R$ 1,5 bilhão por ano até 2009. "Neste ano, o orçamento é de R$ 700 milhões. Não há garantias de que esse cronograma será cumprido."
Na área portuária, segundo Protasio, é preciso elevar a capacidade de armazenagem nos portos em 45,4 milhões de toneladas até 2011. Hoje a capacidade é de 90 milhões de toneladas. "Há uma demanda imediata de investimentos de R$ 7,5 bilhões, mas o governo demora em tomar decisões para atrair esses recursos", criticou.
Cristiano Simon, presidente-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), e Sebastião Guedes, presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), ressaltaram como outro desafio o controle fitossanitário, especialmente nas fronteiras.
Cibelle Bouças