Sistema de dessalinização torna potável a água para município do Sertão baiano
A comunidade de Minuim, no município de Santa Brígida, se prepara para receber o sistema de dessalinização, processo que retira o excesso de sal e outros minerais da água, tornando-a mais potável. Ontem, a população local começou a ser treinada para se adaptar ao novo processo, que faz parte da implantação da Unidade Demonstrativa do Programa Água Doce (PAD).
Além do treinamento, foram agendadas oficinas de sustentabilidade com alunos de escolas municipais e pessoas da comunidade. Acontece hoje um curso teórico e prático para os operadores do sistema de dessalinização. Hoje também vai ser assinado um acordo de gestão, preparado e aprovado pelos moradores da localidade, onde serão definidas as regras que orientarão os direitos e deveres das pessoas que receberão água dessalinizada.
A Unidade Demonstrativa do Programa Água Doce compõe o sistema de produção integrado, que abrange a recuperação ou instalação de dessalinizador, criação de tilápias e cultivo da erva-sal (Atriplex nummularia).
Segurança alimentar – Desenvolvido pela Embrapa Semiárido, o sistema servirá à população de Minuim como alternativa de uso adequado para o efluente (carga orgânica concentrada) do sistema de dessalinização, minimizando os impactos ambientais e contribuindo para a segurança alimentar.
As atividades foram iniciadas em maio com as obras civis, incluindo o sistema de irrigação. O plantio das mudas da erva-sal ocorreu no início de julho, por intermédio da equipe da Embrapa Semiárido, tendo apoio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e da população.
Subsistemas – O sistema de produção integrado é composto por quatro subsistemas interdependentes. O primeiro é o processo de dessalinização, que torna a água potável. No segundo momento, o efluente do dessalinizador (concentrado), solução salobra ou salina, é enviado para tanques de criação de peixes – tilápias, neste sistema de produção.
No terceiro momento, enriquecido em matéria orgânica, o efluente é aproveitado para irrigação da erva-sal, que depois é utilizada na produção de feno.
No quarto e último momento, a forragem, com teor protéico entre 14 e 18%, é utilizada para engorda de caprinos e/ou ovinos da região, fechando assim o sistema de produção integrado ambientalmente e sustentável.
Programa estabelece política pública
Na Bahia, o programa Água Doce é coordenado pelo Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), em parceria com a Companhia de Engenharia Ambiental da Bahia (Cerb), Instituto de Meio Ambiente (IMA), Secretaria estadual do Meio Ambiente (Sema), Secretaria estadual da Saúde (Sesab), Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Bahia Pesca, EBDA e Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs).
O programa estabelece uma política pública permanente de acesso à água potável para consumo humano, promovendo e disciplinando a implantação, a recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental e socialmente sustentáveis por meio do uso de tecnologias alternativas.