Solae busca soja convencional no RS
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A Solae manteve o prêmio de 8% sobre o valor de mercado para a soja convencional e certificada comprada no Rio Grande do Sul, mas agora passou a oferecer a opção de uma remuneração extra fixa de R$ 2,40 por saca na safra 2006/07 para garantir uma "trava" contra baixas nos preços. "O produtor escolhe a modalidade na hora de assinar o contrato", disse o executivo. A empresa também paga mais pelo produto adquirido em outros Estados, mas no Paraná, por exemplo, o prêmio é até 40% menor.
O programa de incentivo ao plantio de soja convencional no Estado, lançado ontem na unidade da empresa em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, tem ainda como novidades a venda de fertilizantes da Bunge a preços reduzidos e o financiamento total ou parcial das lavouras a taxas "atrativas", afirmou Consul. A empresa manteve a garantia de compra de 100% da produção do agricultor e a assistência técnica, além do fornecimento de sementes com isenção dos royalties de 2% (embora não seja vetado o uso de sementes crioulas) e de defensivos da DuPont a preços mais baixos.
A Solae processa 200 mil toneladas de soja por ano em Esteio para a produção de lecitina, fibra e proteínas de soja (isolada, concentrada e texturizada). Deste total, 70% são grãos convencionais e como a maior parte vem de fora do Estado, há custos importantes com transporte e com o recolhimento da alíquota interestadual de ICMS, de 12%. Nas aquisições internas há isenção do imposto, disse o secretário de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul, Luís Roberto Ponte. O governo gaúcho dá apoio institucional ao programa porque espera, com isso, reduzir os volumes de créditos tributários devidos a outros Estados.
Já a soja transgênica processada pela empresa é adquirida integralmente no Rio Grande do Sul, onde pelo menos 95% da área plantada corresponde a lavouras geneticamente modificadas. Como a produção restante normalmente não é separada, o programa da Solae inclui ainda apoio nos processos de segregação. Segundo Consul, a predominância do grão convencional nas operações da Solae deve-se ao fato de que os clientes (indústrias de alimentos) no Brasil procuram evitar o uso de matéria-prima elaborada a partir de soja modificada porque, neste caso, teriam que rotular seus produtos e poderiam perder mercado devido às resistências dos consumidores.
Sérgio Bueno