Mercadorias em alta impulsionam safra de grãos no oeste da Bahia

04/10/2010

Mercadorias em alta impulsionam safra de grãos no oeste da Bahia

 

A alta nos preços dos grãos e a perspectiva de clima favorável devem garantir boa safra no ciclo 2010/11 para a região oeste do estado da Bahia. A expectativa é de que a produção do cerrado baiano se equipare à alcançada na safra 2009/10, quando foi atingida a marca histórica de 5,79 milhões de toneladas.

Para o próximo ciclo, a estimativa do 1o Levantamento de Intenção de Plantio do Oeste da Bahia – 2010/11, realizado pelo Conselho Técnico da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), é o aumento de 1,09% da produção, chegando a 5,85 milhões de toneladas e crescimento de área de 2,61%, com as lavouras ocupando 1,79 milhão de hectares.

O aquecimento dos preços no mercado do algodão responde pelo forte avanço em área que já se delineia para 2010/11. A expectativa é de acréscimo de 22,9% em relação ao ciclo anterior, elevando para 301 mil hectares a ocupação do algodão no cerrado. Segundo o estudo, a produção deve atingir 1,21 milhão de toneladas de algodão em capulho, alta de 31,2%, com produtividade de 270 arrobas por hectare.

"Com margens expressivamente maiores, o algodão ficou mais interessante e o produtor aproveitou o bom momento para rever o balanceamento de suas matrizes produtivas, dando ênfase a esta commodity", explica o presidente da Aiba, Walter Horita.

Soja – A soja, com recorde de produção em 2009/10, deve manter as marcas. A expectativa é de que a área plantada com a oleaginosa cresça 1%, passando para 1,06 milhão de hectares.

A safra 2010/11 deve atingir 3,18 milhões de toneladas (-1%), com produtividade estimada de 50 sacas de 60 quilos por hectare.

"Tivemos safra histórica. Neste momento trabalhamos com números conservadores. Estimamos redução sutil de produtividade de 1%, que não necessariamente vai se confirmar. Aliás, pode até aumentar. Porém, mesmo que a produtividade diminua um pouco, isso se dilui no aumento da área na mesma proporção", afirma o assessor de agronegócio da Aiba, Alcides Viana.

Milho – Após também registrar recordes históricos de produção e produtividade na safra 2009/10, o milho deverá ter queda na área de 10%. A produção está prevista para 1,28 milhão de toneladas, com produtividade média de 140 sacas de 60 quilos por hectare.

"A retomada nos preços do cereal e a importância do milho para a rotação de culturas evitaram que a redução de área fosse ainda maior", enfatiza Viana.

O excesso de oferta de milho no mercado brasileiro fez o preço do grão cair e foi agravado pelo desajuste nos mecanismos públicos de subvenção à comercialização da commodity para os produtores da região.

No último mês, os preços iniciaram recuperação em virtude, principalmente, da crise do trigo na Rússia, que abriu espaço para a valorização do milho, assim como da redução da área plantada em boa parte do Brasil.

Café – A produção de café também manterá os números da colheita 2009/10, segundo o levantamento. A safra deve alcançar 34,7 mil toneladas (578 mil sacas), numa área de 12,8 mil hectares, com produtividade de 45 sacas por hectare.

Os produtores de arroz devem plantar uma área de 8 mil hectares, com produção estimada de 15,3 mil toneladas, mantendo os números do ciclo 2009/10.

A produção de feijão também se manteve inalterada – a previsão de colheita é de 40,5 mil toneladas e área de 15 mil hectares.

Recorde da produção agrícola 2009/10

A safra 2009/10 terminou como a mais produtiva da história da região oeste. A produção de soja cresceu 28,2% em relação à safra anterior (2008/09) e superou pela primeira vez 3 milhões de toneladas, atingindo 3,21 milhões de toneladas. A área plantada cresceu 6,8%, totalizando 1,05 milhão de hectares, com produtividade também recorde de 51 sacas por hectare.

O milho acumulou alta de 1,4% na produção em comparação a 2008/09. Foram colhidos 1,47 milhão de toneladas, registrando produtividade de 145 sacas por hectare, e área de 170 mil hectares.

O algodão em 2009/10, na região oeste, teve queda na área plantada (-6,4%), ficando em 244 mil hectares. Porém, apresentou alta de 7,6% na produção, chegando a 929,4 mil toneladas.

No sudoeste, a área de algodão aumentou 0,2% (13,6 mil hectares) e a produção caiu 8,9% (34,7 mil toneladas).

Também participaram do 1o Levantamento a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Fundação Bahia, Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro), Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), IBGE, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães, Associação do Comércio de Insumos Agrícolas (Aciagri) e indústrias do setor.


 

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