Mudança climática ameaça a maior parte do planeta com graves secas

22/10/2010

Mudança climática ameaça a maior parte do planeta com graves secas

 


Os Estados Unidos e vários países de grande população enfrentam uma ameaça crescente de grave e prolongada seca nas próximos décadas, segundo um estudo do Centro Nacional Pesquisa Atmosférica (NCAR) norte-americano. O aumento das temperaturas, combinado com a mudança climática, provavelmente criará um ambiente mais seco em todo o planeta nos próximos 30 anos, afirma o cientista Aiguo Dai, coordenador do estudo e das projeções.

De acordo com Dai, existe a possibilidade que em certas regiões a seca alcance proporções incomuns e até mesmo nunca vistas na era moderna. O estudo tem como base 22 modelos climáticos virtuais, um amplo índice de medidas de condições da seca e uma análise de estudos já publicados.

O trabalho conclui que a maior parte da América, Europa, Ásia, África e Austrália podem ser ameaçadas por secas extremas durante o século. Já as regiões situadas em latitudes elevadas, do Alasca a Escandinávia, se transformarão provavelmente em zonas mais úmidas, segundo as projeções.

"Enfrentamos a possibilidade de seca extensa nas próximas décadas, mas isto ainda não é plenamente reconhecido pela população e pela comunidade que investiga as mudanças climáticas", advertiu Aiguo Dai.

"Se as projeções deste estudo estiverem perto de concretizar-se, as consequências para as sociedades no mundo seriam gigantescas", destaca o cientista. Dai alertou que as conclusões do estudo são baseadas nas melhores projeções atuais das emissões de gases que provocam o efeito estufa sobre a Terra.

O que realmente acontecerá nas próximas décadas dependerá de muitos fatores, incluindo as futuras emissões de gás carbônico, assim como os ciclos climáticos naturais, como a corrente marinha do fenômeno El Niño.

VEJA O RANKING DAS REGIÕES MAIS VULNERÁVEIS

O Sul da Ásia é a região do mundo mais vulnerável às mudanças no clima, com sua crescente população superexposta a inundações, secas, tempestades e elevação do nível do mar. Esse é o resultado de uma consulta feita com 170 países publicada no dia 27 de outubro de 2010.

Dos 16 países listados como em risco "extremo" devido às mudanças climáticas nos próximos 30 anos, cinco são do sul da Ásia, com Bangladesh e Índia em primeiro e em segundo lugares, Nepal em quarto, Afeganistão em oitavo e Paquistão em 16º. O Brasil (81º), a China (49º) e o Japão (86º) estão na categoria de "alto risco".

O Índice de Vulnerabilidade pelas Mudanças Climáticas, compilado pela britânica Maplecroft, uma empresa global de aconselhamento de riscos, pretende ser um guia para o investimento estratégico e a adoção de políticas.

O barômetro é baseado em 42 fatores sociais, econômicos e ambientais, inclusive a capacidade de resposta do governo, de forma a avaliar o risco para a população, os ecossistemas e os negócios em função das mudanças climáticas.

O Sul da Ásia é especialmente vulnerável por causa de mudanças em padrões climáticos que resultam em desastres naturais, como as inundações no Paquistão e Bangladesh, neste ano, que afetou mais de 20 milhões de pessoas, disse Maplecroft.

"Há evidências crescentes de que as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência de eventos climáticos", disse a analista ambiental da empresa, Anna Moss.

"Mudanças muito pequenas de temperatura podem ter impactos maiores no ambiente humano, incluindo mudanças na disponibilidade hídrica e na produtividade agrícola, a perda de terra por causa da elevação do nível do mar, bem como a disseminação de doenças", acrescentou.

SECA E FOME

Bangladesh aparece na primeira posição devido a uma dupla má sorte. O país tem o mais alto risco de seca e o maior risco de fome. Também luta contra a pobreza extrema, a alta dependência na agricultura - o setor econômico mais afetado pela mudança climática - e um governo que é o menos capaz de responder aos impactos climáticos.

Sobre a Índia, a Maplecroft comentou: "Quase todo (o país) tem um alto nível ou nível extremo de sensibilidade às mudanças climáticas, devido à severa pressão populacional e ao consequente abuso de recursos naturais."

"A isto se soma um alto nível de pobreza, baixa qualidade da saúde em geral e dependência agrícola de grande parte da população", acrescentou.

Entre os países da categoria de "médio risco" estão a Rússia (117º), os Estados Unidos (129º), a Alemanha (131º), a França (133º) e a Grã-Bretanha (138º).

A Noruega lidera o pequeno grupo de 11 países considerados em baixo risco, dominado pelos escandinavos e pelos holandeses, que têm trabalhado para defender seu território, abaixo do nível do mar, da elevação das águas dos mares.

A Maplecroft já tinha publicado em 2009 um índice de vulnerabilidade às mudanças climáticas, situando 28 países entre aqueles que correm "risco extremo", liderado por Somália, Haiti, Serra Leoa e Burundi.

No entanto, os índices de 2009 e 2010 não são comparáveis, afirmou Fiona Place, da Maplecroft.

O novo índice, amplamente reconfigurado, usou três "subíndices" que se focam especialmente na habilidade de um país em responder ao estresse climático.

"As vulnerabilidades mais sérias à mudança climática foram encontradas no grupo de países em desenvolvimento com sistemas socioeconômicos mal equipados para responder a desafios como a segurança alimentar e hídrica, além de sofrerem com economias instáveis e instituições fracas", ressaltou Place.

"Este é o caso de um grande número de países, estando o sul da Ásia e a África no centro das preocupações", concluiu.

 


Fonte:
G1
France Presse

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