Cotonicultores querem controle sobre dólar
Célia Froufe
Agência Estado, Brasília
Os representantes da cadeia produtiva do algodão vão encaminhar documento ao ministro da Agricultura,Wagner Rossi, pedindo ações mais firmes do governo federal para conter a desvalorização do dólar frente ao real.A decisão foi tomada ontem durante reunião da Câmara Setorial do setor, realizada em Brasília.
Os produtores avaliam que neste momento, quando o preço da commodity atingiu alta histórica no mercado internacional, incentivando, inclusive, aampliação das áreas de plantio,as perdas causadas pela queda da moeda americana se revertem em prejuízos aos agricultores.
"Sou produtor há 12 anos e nunca vi o preço do algodão chegar nesse ponto. Este seria o momento para o produtor ganhar dinheiro”, comentou o presidente da Câmara, Sérgio De Marco.
Desde janeiro deste ano, os preços internacionais da commodity subiram 67%, para 127 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York. Só em outubro, a alta foi de 25%.
O ideal para o produtor, segundo De Marco, seria ver a cotação da moeda acima de R$ 2.O temor,no entanto, é de que o dólar caia ainda mais em 2011, para R$$ 1,50. “O que acontece? O que o produtor está conseguindo, um retorno bem abaixo do preço mínimo”, comparou.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha, o dólar tem sido o principal fator de diminuição da renda do produtor.“A commodity se valorizou, mas o dólar tira muito da receita”, considerou.
Para ele, o setor produtivo vinha reclamando sozinho da movimentação da moeda, mas agora, segundo Cunha, o governo também percebeu os reflexos da diferença da cotação para a economia brasileira como um todo.
A intenção, com a carta, é fazer de Rossi um porta-voz dos produtores para os demais ministros da área financeira.“É uma maneira do setor se manifestar”, disse o presidente da Abrapa. Segundo ele,além dos cotonicultores,o documento será assinado por demais representantes da cadeia produtiva do algodão. “A indústria têxtil, que gera tantos empregos no Brasil, não suporta mais a diferença”.