Cacau baiano é premiado em salão de Paris

08/11/2010

Cacau baiano é premiado em salão de Paris

 

 

Técnicas especiais de colheita e beneficiamento do cacau fizeram com que produtores baianos fossem destaque no último Salon Du Chocolat, realizado na semana passada em Paris. Durante o salão, o produtor João Tavares foi premiadocomomelhor cacauda categoria chocolate da América Latina. Segundo ele, além do reconhecimento internacional, a adoção de técnicas de melhoramento é uma boa maneira de agregar valor à produção e garantir bons lucros no final da safra.

Há seis anos, João Tavares adota tecnologia de beneficiamento para realçar as características do cacau produzidonaFazendaSãoPedro.

De acordo com ele, o resultado foi fruto do cruzamento de espécies comoo forasteiro e o scaniva, além de técnicas exclusivas de fermentação e secagem das amêndoas.

“Hoje, consigo vender minhas amêndoas pelo dobro dopreçodacommodity”,conta.

João vende exclusivamente para produtores de chocolate gourmet no Brasil, Bélgica e Suíça.

Um dos clientes do produtor é o empresário Diego Badaró, que, além de produzir cacau gourmet, também instalou uma fábrica de chocolates premium em Salvador.

Badaró colocou seus chocolates Amma no mercado no últimomês de março e já exporta cerca de 50% da produção para cinco países.

“Todo produtor temcondições de cultivar o cacau gourmet”, disse. De acordo com ele, um dos grades segredos da qualidade e produtividade do cacau é a preservação da mata atlântica. “Nenhuma planta é tão preservacionista quanto o cacau”.

O que acontece, segundo Diego Badaró, é que grande parte da indústria nacional de chocolates não valoriza o cacau premium. “A indústria não quer pagar a mais pelo produto selecionado, e a maioria dos cacauicultores nãotemestímulo para adotar estas técnicas”, comentou.

Qualidade O presidente da Associação de Produtores de Cacau, Henrique Almeida, conta que o reconhecimento da Bahia como produtora de qualidade em cacau veio antes do esperado.

“Há dois anos, achávamos que eraumsonho distante e imaginávamos um trabalho de quatro anos até virar realidade”, comenta.

Hoje, ele reconhece que o grande desafio da APC é introduzir a produção do Estado no mercado internacional para aumentar a demanda e estimular a adoção das técnicas de produção.

“Além do sabor diferenciado, o cacau baiano é reconhecido pela cremosidade do produto final”, comenta o diretor industrial de produção da Vale Dourado, Carlos Henrique Sampaio. De acordo comele, a empresa optou por usar exclusivamente o cacau da Bahia para a produção na fábrica em Salvador.

Galeria: