Preço do milho se recupera mas plantio reduz
As boas novas vieram tarde para os produtores de milho da Bahia.Apesarda tendência de alta do preço no mercado internacional, os produtores do oeste baiano vão reduzir pela segunda safra consecutiva a área de plantio, resultado de um cenário de incertezas na hora de planejar o plantio.
Em baixa no mercado desde a eclosão da crise financeira internacional, em outubro de 2008, o preçodomilho fez os produtores enfrentarem duas safras difíceis – especialmente a que se encerrou, em que o preço da saca atingiu um patamar abaixo do preço mínimo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.
A tendência de desvalorização foi revertida com valorizações sucessivas do preço da commoditie a partir de junho deste ano. Em quatro meses, o preço da saca de milho valorizou 56%, saltando de R$ 14,47 para R$ 22,58.
“A seca que atingiu os países europeus prejudicou a produção de trigo, o que acabou gerando um cenário de oportunidade para o milho dos Estados Unidos que está suprindo esta lacuna. Esta demanda valorizou o preço no mercado internacional”, explica Alcides Viana, assessor deagronegóciodaAssociação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Produção
A produção de milho vai se estender porumafaixa de 153 mil hectares, uma área 10% menor do que a da safra que se encerrou. O volume de produção seguirá a mesma tendência e é estimado em 1,2 milhões de toneladas contra 1,4 milhões da safra anterior.
“Mesmo compreço melhorando,o produtor não tem como voltar atrás e mudar o planejamento.
Vamos tentar ganhar na produtividade”, explica o produtor Celestino Zanella.
A meta é repetir o desempenho da última safra, em que, apesar da redução da área plantada, o volume de milho produzido cresceu. “Tivemos um bom resultado graças a um clima extremamente favorável e ao uso intensivo de tecnologia. A produtividade foi recorde, chegando a 145 sacas por hectare”, afirma Alcides Viana, da Aiba.
Outro fator que desestimulou o avanço da produção de milho na próxima safra foi a valorização da soja e do algodão – este último com um crescimento de 29,3% no preço médio.
Concorrência com o Mato Grosso preocupa os produtores
O principal motivo de preocupação dos produtores baianos é a concorrência do milho produzido em Goiás, no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Com condições climáticas mais favoráveis, que incluem um período de chuvas cerca de dois meses maior, os produtores do Centro Oeste têm duas safras durante o ano: umasafra principal, utilizada para culturas como a soja, e a chamada“safrinha”,emqueo produto principal é o milho.
“Esta produção acaba vindo para o Nordeste para atender à demanda regional e é vendida por um preço muito baixo. Não temos capacidade de competir”, avalia o produtor Celestino Zanella.
Tranquilidade
O secretário de Agricultura do Estado, Eduardo Salles, afirma que este problema está sendo sanado através de negociações com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
“Hoje, a situação é de tranquilidade dentro do mercado de milho. A Conab suspendeu temporariamente os leilões públicos,que estavam puxando o preço para baixo”, pontua.
Ele explica que a Conab também reduziu o Prêmio de Escoamento de Produto–subvenção concedida pelo governo através de leilão – do milho do Centro Oeste.
“Desta maneira, o preço do frete acaba não compensando para os produtores de fora abastecer o mercado local, ampliando a competitividade do milho produzido na Bahia”, destaca Salles.
Fonte:
Jornal A Tarde
15/11/2010