Algodão eleva preço de tecidos e confecções

18/11/2010

Algodão eleva preço de tecidos e confecções

 

Em apenas um ano, custo da matéria-prima aumentou 115%, motivado pela escassez do produto no mercado

 


Estoques baixos de algodão nos Estados Unidos, enchentes e quebra de safra no Paquistão, redução das exportações da Índia. E a toalha de mesa que o consumidor incautocompranaAvenidaSete de Setembro,emSalvador, está mais cara. As nuances de um mercado globalizado se refletem na cadeia de produção têxtil. Principal matériaprima desta indústria, o algodão atingiu a maior cotação no mercado internacional dos últimos 140 anos. Em apenasumano, o preço avançou surpreendentes 115%, saltando de R$ 1,30 para cerca R$ 2,80 a libra-peso, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

Aalta dos preços, motivada pelaescassezdoproduto,provocou um estrangulamento na indústria e no comércio têxtil. No varejo, os produtos debaixovaloragregadocomo tecidos, fardamentos e o segmentodecama, mesaebanho já estão até 30% mais caros.

Um impacto que o consumidor irá sentir no bolso: "Se a gente compra mais caro, acaba vendendo mais caro também.

Não temjeito", explica o comerciante José de Carvalho, da Disbate Distribuidora de Tecidos.

O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, explica que a situação é dramática para as indústrias do setor. "Sei de muitas fábricas que estão paralisando as atividades por falta de capital de giro para comprar os insumos. Este é o lado mais perverso desta escalada dos preços", pontua o dirigente.

Para os pequenos produtores e comerciantes, que não conseguem comprar em escala, a situação é ainda mais complicada. Segundo William Francelino de Moura, presidentedoSindicatodaIndústria do Vestuário de Salvador e Lauro de Freitas, os fornecedores não estão tendo condições de atender a demanda da indústria. Em um ano,opreçodotecidoaumento 30% e a perspectiva é que aumente ainda mais. "Para se manter no mercado, estamos deixando de atender alguns pedidos, atrasando outros. Se a situaçãopersistir, vamoster que aumentar o valor dos contratos", explica.

Fernando Pimentel, presidente da Abit, explica que o Estado tem agido para corrigirasdistorçõesdemercado que incidem sobre o setor. Este ano, as indústrias foram autorizadas a importar 250 miltoneladasdealgodãocom isençãonoimpostodeimportação, que possui alíquota de 10%. No entanto, esse volume não tem sido suficiente para atender à demanda: "O principal desafio será garantir o abastecimento no primeiro semestre do próximo ano.

Precisaremos importar pelo menos mais 200 mil toneladas", estima Pimentel.

O presidente do Sindicato doComércioAtacadistadeTecidos, Vestuários e Armarinhos da Cidade do Salvador, José Raimundo dos Santos, defende medidas mais efetivas do Estado para garantir estabilidade ao setor têxtil.

"Alémdareduçãodacarga tributária, é preciso uma regulação de deixar o setor menos susceptível às altas e baixas do mercado", avalia.

O caminho até a regularização do mercado, no entanto, promete ser árduo. Quem está na base da cadeia produtiva não vê perspectivas de um mercado mais equilibrado no curto prazo: "Esperamos uma estabilização do mercado no médio e longo prazo", explica Isabel da Cunham presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).

Galeria: