Florescimento e frutificação de lichieiras - Parte 2 (Seagri)

14/08/2006

Florescimento e frutificação de lichieiras - Parte 2

 

MATERIAL E MÉTODOS

 

O experimento foi conduzido durante o período de 04/2003 a 12/2004, na Fazenda Santo Antônio, município de Taquaritinga, Estado de São Paulo, com as coordenadas 21° 24’S; 48° 29’W e 560 m de altitude. O clima da região é do tipo Cwa, segundo a classificação de Köppen, com temperatura média mínima de 16.7°C, temperatura média máxima de 28.8°C e uma precipitação total anual de 1.442 mm. Foram utilizadas árvores de lichia da cultivar Bengal, com 17 anos de idade, provenientes de mudas obtidas por alporque e plantadas em espaçamento de 9 x 8 m. Em abril de 2003, foram selecionadas 25 plantas, em função do porte e brotação vegetativa superior a 50%. Os tratamentos foram em plantas individualizadas: T1 = anelamento de ramos ou pernadas principais (10 – 25 cm de diâmetro); T2 = anelamento de ramos de 6 cm; T3 = anelamento de ramos de 4 cm; T4 = anelamento de ramos de 2 cm de diâmetro, e T5 = testemunha sem anelamento. O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com cinco repetições, com uma árvore como parcela experimental.

 

Os tratamentos foram realizados na primeira quinzena do mês de maio, com ajuda da serra de poda e um anelador usado em videira, e a incisão foi de 2,5 mm a 4 mm de largura em função do equipamento usado; depois de realizados os cortes, foi passada uma calda à base de cobre como prevenção contra doenças. Para o caso do tratamento em ramos ou pernadas principais, foram anelados todos os ramos presentes, com exceção de dois ou três ramos pequenos que têm a função de manter o fluxo de fotoassimilados. O anelamento foi realizado a 70 cm do nível do solo para evitar o molhamento dos cortes pelo microaspersor utilizado na irrigação. Os tratamentos em ramos de 6; 4 e 2 cm de diâmetro foram realizados, respectivamente, em dois, três e quatro ramos por quadrante, em cada árvore.

 

Foram registradas as temperaturas máximas e mínimas no período do experimento. Os parâmetros avaliados foram: percentagem de floração por quadrante (nordeste (NE), noroeste (NO), sudeste (SE), sudoeste (SO)) e por árvore, que foi determinada visualmente, considerando o volume de ramos anelados por tratamento e o volume da copa com floração por quadrante; e comprimento das inflorescências, medindo-se 20 amostras por quadrante; quanto à frutificação, foram marcadas 20 inflorescências por quadrante para avaliar frutos vingados, massa, diâmetro longitudinal e equatorial de frutos, teor de sólidos solúveis totais, época de colheita e rendimento, que foi estimado em função de cachos por árvore e número médio de frutos por cacho. Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias, comparadas pelo teste de Tukey.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Temperaturas versus floração

 

A lichia cultivar Bengal é considerada como alternante, característica que é mais acentuada quando cultivada em climas quentes, com restrições de temperaturas para favorecer a indução à floração. As temperaturas máxima e mínima registradas nos meses de outono-inverno, para o ano de 2003, que foi de pouca floração, e para 2004, que foi de alta floração, estão registradas na Tabela 1 (Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), na qual se observa que não apresentaram grandes diferenças. No entanto, é importante assinalar que, em 2004, houve temperaturas mínimas menores nos meses de março e junho e temperaturas máximas mais amenas nos meses de maio, junho e julho, o que possivelmente seja um indicador da existência de temperaturas mais favoráveis para o maior florescimento. Menzel & Simpson (1995) encontraram que temperaturas menores de 15° C, quatro ou seis semanas prévias ao florescimento, são favoráveis à indução floral, e temperaturas muito altas, no mesmo período, podem inibir o efeito das temperaturas baixas favoráveis; é possível que, em 2003, as maiores temperaturas máximas tenham contribuído junto com outros fatores ao menor florescimento, porém é necessário um estudo mais detalhado para entender a interação de temperaturas e de outros fatores sobre a indução da floração.

 

Foi observada uma resposta diferenciada do florescimento, em função dos quadrantes dentro de cada árvore. Constatou-se que existem diferenças estatísticas entre os quadrantes para a percentagem de florescimento, no ano 2003, e não houve diferenças em 2004 (Tabela 2 – Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo). As linhas de plantio têm orientação norte(N)-sul(S), com o tamanho atual das árvores, existe sombreamento nos quadrantes N e S das árvores, portanto as avaliações foram nos quadrantes NE - NO (mais expostos à luminosidade) e SE e SO (menor exposição). Os resultados indicam que os quadrantes menos expostos à luz apresentam maior florescimento, sobretudo no ano em que, em geral, houve menor florescimento.