Bahia recua do 6º para 7º Estado mais rico

23/11/2010

Bahia recua do 6º para 7º Estado mais rico

 


A Bahia pagou com a quedada sexta para a sétima posição no ranking das economias brasileiras pelo modelo econômico dependente da produção de insumos básicos (commodities). Pela primeira vez, o Estado perdeu importância na composição do Produto Interno Bruto (PIB) de 2008 para Santa Catarina, apesar de ter obtido um crescimento maior. A oposição culpa o governador Jaques Wagner (PT) pelo resultado.

De acordo comos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção da economia baiana cresceu 5,2% e o valor dos produtos aumentou em 6%, chegando ao fim do ano com um acumulado de riquezas estimado em R$ 121,5 bilhões.

Em Santa Catarina, produziu-se menos, 3,1%, mas o nível dos preços aumentou 14%, elevando o total de riquezas do Estado sulista para R$ 123,28 bilhões.

Os números da revisão são oficiais, produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas as interpretações a respeito dos mesmos varia bastante.

O deputado federal ACM Neto (DEM) considera que a queda se deve a uma “postura passiva” do governador em relação ao desenvolvimento da Bahia. “Perdemos diversos investimentos paraoutros estados.

Agora é preciso ter cuidado para não cair no ranking do Nordeste, porque Pernambuco tem obtido um grande crescimento”, analisou.

Ele cita como exemplo uma necessidade de proteger a indústria baiana da excessiva valorização do dólar, que não está sendo contemplada, em sua opinião. “Também falta infraestrutura, porque as obras são só promessas. Em Santa Catarina, a iniciativa privada encontrou um ambiente propício para investimentos, com uma estrutura tributária que permite às empresas crescerem”, afirmou.

O grande problema da Bahia está na matriz econômica, concentrada na produção de insumos básicos para a exportação, avalia o diretor do Instituto dos Auditores Fiscais da Bahia (IAF), SérgioFurquim.

“É como se a Bahia tivesse vendido um milhão de quilos de feijão, e Santa Catarina tivesse comercializado a feijoada.Quem é que ganha mais?”, questiona. Segundo ele, a Bahia está “estagnada” em 4% de participação há muito tempo.

Mas o presidente do PT baiano, Jonas Paulo, sai em defesa da gestão do seu partido e responsabiliza os governos anteriores por não terem preparado o Estado para ocrescimento. “Encontramos diversos locais com carência energética e hídrica. Como íamos nos desenvolver assim?”, questionou. Ele pondera que as obras prometidas para o Estado, por serem de grande porte,demorampara ser concretizadas.

Exagero Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), a revisão do PIB está recebendo mais importância do que ela merece.

“Não concordo com a ideia de que o número representa a perda de competitividade”, rechaça. Ele lembra que a queda não se deu em relação à produção, mas no valor do que foi produzido.

Para Sampaio, a situação precisa ser avaliada no contexto da crise que se abateu na economia mundial em 2008.

“A Bahia tem uma estrutura industrial diferenciada, por isso percebeu a crise de maneira diferente de estados com matrizes industriais mais diversificadas”, diz,lembrando que a estrutura industrial e agrícola de Santa Catarina é bem mais diversificada que a baiana. “Além disso, os estados do Sul são privilegiados sob o ponto de vista da logística em relação ao Nordeste e a Bahia, que tem uma defasagem provocada por décadas de ausência de investimentos”, afirma.


Economia local tende a crescer 5% este ano garante diretor


"A economia baiana já tem garantido um crescimento de pelo menos 5% em 2010”, de acordo com o diretor de Indicadores e Estatísticas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Gustavo Pessoti. Segundo ele, o Estado deverá acompanhar o crescimento nacional, cuja previsão é de uma expansão de 7,5%.

De acordo como diretor da SEI, órgão responsável pelo cálculo do PIB no estado, as estimativas de crescimento econômico são sempre conservadoras.

“Você vê que em 2008 nós calculamos um crescimento (4,8%) menor que o que se verificou de fato (5,2%)”, diz.Amaior diferença aconteceu por conta da análise do setor informal.

Pessoti explica que o PIB deveria servir para embasar os repasses constitucionais, o que não acontece por conta da defasagem na divulgação dos números. “A Bahia não vai ser prejudicada porque os repasses são calculados com base na população”, diz.

A percepção do presidente da Associação Comercial da Bahia, Eduardo Moraes de Castro, é de que o Estado já retornou à antiga posição.

“Os próximos números vão demonstrar a retomada e cabe a nós todos continuar investindo no Estado”, diz.


Estudo mostrou que ICMS do Estado é o que menos cresce

O Instituto dos Auditores Fiscais (IAF) havia divulgado um estudo no início deste ano mostrando que a arrecadação baiana cresce em níveis menores que a de outros estados.

O fato será lembrado hoje no plenário do Congresso Nacional, onde o deputado federal ACM Neto (DEM) fará discurso criticando a queda da Bahia para a sétima posição do PIB nacional.

No estudo do IAF, a arrecadação de ICMS (principal tributo cobrado pelos governos estaduais) cresceu na Bahia apenas 17,8% entre2006e 2009. Foi o pior desempenho entre as 27 unidades da Federação.

Santa Catarina ficou em 8º,com aumento de 38,2%.

Pernambuco, outro Estado que concorre com a Bahia na busca de investimentos, teve aumento de 41,6% no mesmo período.

Em 2009, a arrecadação de ICMS no Estado fechou em R$ 9,3 milhões.

“Nós já havíamos alertado que a perda de posição podia ocorrer e agora, efetivamente, aconteceu”, comentou ACM Neto. Enquanto a oposição buscou ganhar dividendos políticos como resultado, os parlamentares aliados do governador não se pronunciaram sobre o fato nos últimos dias. Apesar disso, a reportagem ligou ontem para o deputado estadual Waldenor Pereira (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa, mas não conseguiu localizálo. Também foi sem sucesso a tentativa de contato com o deputado federal Walter Pinheiro (PT), ex-secretário de Planejamento do governo da Bahia.

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