Criação de cavalos emprega mais que automobilismo
A Bahia possui o segundo maior rebanho de cavalos do País, atrás de Minas Gerais. Os números nacionais somam 5,9 milhões de cabeças, enquanto o Estado tem 641 mil cavalos. A Associação Baiana dos Criadores de Cavalos (ABCC) estima que a eqüinocultura gere 65 mil empregos na Bahia.
“A maioria (85%) formalmente registrada, o que não é comum na agropecuária”, diz Pio Guerra, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNSA), que na semana passada divulgou a pesquisa “Estudo do Complexo do Agronegócio do Cavalo”, feita pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP.
A eqüinocultura lança anualmente R$ 7,3 bilhões em negócios na economia nacional. “São mais de 100 setores, dos quais, 30 foram ouvidos na pesquisa, principalmente as que atendem aos ramos automobilístico, da moda e do lazer, para citar”, conta Pio Guerra.
Os preços dos cavalos, segundo João Américo Oliveira, são variados. "Nos leilões destinados a usuários, por exemplo, um MangalargaMarchador ou Paulista varia de R$ 4 mil a R$ 5 mil, enquanto o Quarto-de-Milha (R$ 10 mil) e o Campolina (R$ 20 mil) têm preço mais alto", disse, acrescentando que animais de alta elite chegam a custar de R$ 100 mil a R$ 200 mil.
A indústria de automóveis movimenta R$ 39,6 bilhões e cria 102 mil empregos diretos, enquanto a eqüinocultura, com menor volume financeiro, gera 641 mil empregos diretos. De acordo com ele, o estudo mostrou que a maior utilidade do cavalo ainda é a lida com o gado bovino.
“São cinco milhões de cavalos para acompanhar a criação de gado. É uma área que pode crescer mais , devido à grande área ainda não explorada”, diz Pio Guerra.
Além de ser utilizado no trato de rebanhos destinados ao corte e à produção leiteira, o cavalo tem um propósito lúdico. “O século passado foi o primeiro a não ter o cavalo como principal meio de transporte”, lembra Pio Guerra.
Na Bahia, de acordo com João Américo Oliveira, presidente da ABCC, a criação de cavalos é um dos setores mais organizados, ficando atrás apenas da bovinocultura e da criação de caprinos e ovinos.
Antes, a ABCC promovia a tradicional Semana Baiana do Cavalo, que acolhia a Semana Nacional do Cavalo. A partir de 1998, a promoção passou a ser denominada de Exporural.
“Ainda temos a Semana do Cavalo, mas dentro da programação da Exporural, onde a venda e compra de animais, para fins de melho# 5,9 bilhões de cavalos tem o Brasil, país com o terceiro maior rebanho do mundo, atrás de China e do México.
Fonte ❙ CNA ramento do rebanho, é o carrochefe da feira, tanto que este ano serão 850 cavalos mostrados na Exporural”, divulga João.
Cerca de 46% das pessoas que fazem turismo rural apontam o cavalo como primeira opção de lazer, constatou a pesquisa da Esalq, que cita os esportes eqüestres, como apartação, turfe, hipismo e cavalgadas.
O cavalo também é utilizado no tratamento de doenças. A Bahia possui sete dos 231 centros de eqüoterapia do País, de acordo com a pesquisa. Também a vaquejada é um dos nichos que mais movimentam dinheiro no Nordeste: R$ 164 milhões. A pesquisa feita pela Esalq encontrou 1.430 empregos diretos no dito “esportes dos vaqueiros”, em que a diversão é derrubar o animal.
Comer carne de cavalo não é costume no Brasil. Mas países estrangeiros, a exemplo de Bélgica, França e Holanda, saboreiam a carne do quadrúpede herbívoro, que é menos gordurosa que a de boi. O Brasil é o quinto exportador da carne, perdendo apenas para China e México.
LEILÕES E JULGAMENTOS – Quatro leilões de cavalos vão movimentar a Exporural, que começou no último final de semana, em Salvador, e vai até o dia 20, no Parque de Exposições. O primeiro, de Quarto-de-Milha e Paint Horse, vai ocorrer correr dia 16, às 20 horas.
No dia 18, será o leilão do Mangalarga Marchador, às 20 horas. A programação termina dia 19, com o Premium Campolina, às 20 horas, no Hotel Catussaba e, no mesmo horário, de Mangalarga Marchador (do Pau de Rola).
A programação de hoje da Fenagro começa com o julgamento da raça Quarto-de-Milha, às 8 horas. Na parte da tarde, a partir das 14 horas, serão julgados Quartode-Milha, Appaloosa e Paint Horse. Haverá julgamento de eqüinos, bovinos, caprinos e ovinos por toda a semana, às 8 e às 14 horas.
JAIR FERNANDES DE MELO