Fruticultura baiana dá sinais de revitalização
Após quase três anos de crise, a fruticultura baiana volta a mostrar sinais de revitalização: em 2010 foram 5,2 milhões de toneladas produzidas e um faturamento de R$ 3,02 bilhões, 13,01% a mais quenoanopassado.Mas,apesar do bom desempenho, a desvalorização do dólar ao longo do ano vem tirando o sonodosprodutoresdefrutas para exportação, especialmente os de uva e manga, itens mais vendidos para países estrangeiros no Vale do SãoFrancisco,omaiorpoloda fruticultura no Estado.
O dólar sofreu, em menos de 12 meses, uma variação de -26,09%. Além dos EUA ser o mercado mais importante para a região, algumasexportações para outros países são calculadas combase na moeda americana.
Suemi Koshiyama, dono da Special Fruit, é produtor de uva e manga há 26 anos. A propriedade dele no Vale do São Francisco possui 18 mil hectares e emprega diretamente duas mil pessoas.
Seu negócio tem 60% da produção direcionada ao mercado exterior. Segundo Koshiyama, nos últimos três anos, houve uma redução de 25% nas exportações da empresa.
“O dólar desvalorizado está comprometendo toda a cadeia de exportação. Só é bom para brasileiro que vai passear no exterior”, reclama.
O produtor queixa-se da falta de atenção do governo brasileiro para a questão.
“Até os próprios americanos desvalorizaram o dólar para se tornarem mais competitivos no mercado internacional”, argumenta.
Koshiyama e o presidente do Instituto da Fruta, Ivan Pinto da Costa, afirmam que, para solucionar a questão, os produtores da região já estão em busca de outras variedades com custo de produção menor que a uva e a manga.
Dívidas
A fruticultura participa com 1,8% no PIB estadual. As exportações representam uma parte pequenadofaturamento deste mercado. Em 2010, foram 109 mil toneladas exportadas, com faturamento deUS$124,7milhões.“Émuito pouco o que a gente exporta.
O Chile, que é pequeno, exporta mais que a gente”, observa o secretário de Agricultura Eduardo Salles.
Entretanto, os problemas da fruticultura precedem as questões de câmbio e exportação experimentadas este ano. Em 2008, devido à crise financeira mundial, a comercializaçãodasafrafoi afetada.
Em 2009, os produtores enfrentaram questões climáticas.“ Em2008, não tinha para quem vender, os compradoressumiram; em2009,oagricultor deixou de apostar em tecnologia e as chuvas foram o tiro de misericórdia na fruticultura”, lembra Salles.
Competição desigual
Tais contratempos deixaram os produtores endividados. A situação foi amenizada no finaldeagosto desteano,quando os fruticultores do Vale do São Francisco, apoiados pela Seagri,emarticulação comos governos da Bahia e de Pernambuco, conseguiramqueo Conselho Monetário Nacional (CMN) publicasse a resolução nº. 3.899 autorizando o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) a refinanciar as dívidas dos horticultores. Com essa medida, eles terão dez anos para quitar suas dívidas.
Orefinanciamentogarante aos produtores algum tempo para se reorganizarem, mas, na visão dos produtores, a concorrência estrangeira poderá constituir-se em outra ameaça à fruticultura.
Adversários
Os maiores adversários moramao lado. “Países comoPeru e Chile vão conseguir colocar frutas nas nossas janelas de exportação na Europa”, acredita Ivan Pinto da Costa.
O presidente do Instituto da Fruta conta que no Peru a produção de uva já é maior que no Vale do São Francisco.
Ao vizinho, produzir uvas temumcusto 55%menor que no polo baiano. “Por hectare gastamosUS$40mil eocusto deles é de US$ 18 mil. Quando eles entram na Comunidade Europeia têm isenção fiscal, fruto de um acordo, e nós pagamos 18%”, compara.
Costa ainda reclama que os argentinos, que também exportamparaoBrasil, utilizam insumos agrícolas proibidos dentro do País.
“Em uma reunião da qual participei ontem em Brasília eureclamei disso e falei: ‘Para os produtores brasileiros a lei e para os estrangeiros tudo’ ”, conta o presidente do Instituto da Fruta.