Zona Tampão da aftosa é extinta

29/12/2010

Zona Tampão da aftosa é extinta

 

Oficialmente, a Zona Tampão da aftosa está extinta na Bahia. A Instrução Normativa 45 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), publicada no Diário Oficial da União de ontem, torna a pecuária baiana mais justa e igualitária nos municípios de Casa Nova, Remanso, Campo Alegre de Lourdes, Pilão Arcado, Buritirama, Mansidão, Santa Rita de Cássia e Formosa do Rio Preto. A partir de agora, cerca de 10 mil criadores, com um rebanho de, aproximadamente, 255 mil cabeças, passam a integrar a comercialização e o trânsito de animais em todo o estado.

O governador Jaques Wagner comemora a notícia, destacando que, livre da Zona Tampão, a pecuária baiana está pronta para crescer ainda mais. "O fim da Zona Tampão é emblemático por representar o sucesso da parceria entre os governos de dois estados (Bahia e Piauí), produtores e Ministério da Agricultura – todos unidos em busca de objetivo único. Ganha a pecuária baiana, cada vez mais forte, e a sociedade, com o aquecimento da economia e a geração de empregos e renda."

Segundo o secretário da Agricultura, Eduardo Salles, a extinção "era um anseio do governo e dos municípios, que agora vão viver outro momento, com importantes impactos sociais e econômicos. As terras serão valorizadas, os rebanhos poderão ser comercializados sem restrições e a economia aquecida, com geração de emprego e renda."

Imunização – A Bahia é detentora do maior rebanho bovino da região Nordeste e tem apresentado, nos últimos anos, estabilidade sanitária referenciada nacionalmente, apontando para o fortalecimento da defesa agropecuária baiana. De acordo com o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Cássio Peixoto, os índices de imunização contra a febre aftosa nos municípios componentes da Zona Tampão atestam a evolução da qualidade e da consciência do criador quanto à necessidade de vacinar os animais.

Campanha – Na primeira etapa da campanha contra a doença, em maio deste ano, na região da Zona Tampão foram imunizados 98,77% do rebanho, acima da média estadual. Para o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Francisco Jardim, "esta é uma conquista da Bahia, do trabalho desenvolvido pelo Estado e pelos oito municípios que estavam na Zona Tampão."

A superintendente federal do Ministério da Agricultura na Bahia, Maria Delian Sodré, afirma que a conquista é "resultado da luta conjunta do ministério e da Secretaria da Agricultura, e do esforço do governador junto ao governo do Piauí". Para o presidente da Associação de Criadores de Gado do Oeste (Acrioeste), Ricardo Barata, o fim da Zona Tampão permitirá que os agentes financeiros abram novas linhas de financiamento, criará facilidades para a comercialização e o melhoramento genético do rebanho da região, dando "igualdade aos pecuaristas."

Pacto Federativo assegura a sanidade dos animais

O fim da Zona Tampão é resultado de intensa dedicação dos produtores e dos governos baiano e piauiense, após pauta de ações pactuadas com o Ministério da Agricultura. As ações para a extinção começaram a ser analisadas após parecer emitido pelo Mapa, no final de 2009, que permitiu a elaboração de um documento pela redução da área. A proposta, baseada nas ações de vigilância ativa desenvolvidas pela Adab, foi encaminhada ao Mapa e, em março deste ano, ficou estabelecido o Pacto Federativo, proposto pelo governo baiano, determinando uma série de critérios, metas e sorologia para avaliar a sanidade dos rebanhos da Bahia e Piauí.

Com apoio dos produtores e iniciativa privada, foi assegarada a sanidade dos animais, por meio das ações cooperadas para a consecução das metas estabelecidas no pacto, vacinações, reestruturação das unidades de fiscalização do trânsito, abrangendo melhoria dos postos fixos, monitoramento via satélite e capacitação continuada dos técnicos. Destaque para a informatização da base cadastral das unidades produtivas, com a implementação do Sistema de Defesa Agropecuária e a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica para garantir que o rebanho ficasse definitivamente livre para o trânsito e o comércio na Bahia e todo o país.

Proteção – Uma área de 58.201 quilômetros quadrados na região norte. Assim era a Zona Tampão na Bahia, que foi estabelecida pelo Mapa como área de proteção para impedir a entrada de animais com possibilidade de estarem infectados pelo vírus da aftosa.

O rebanho local reúne 255 mil bovinos, 600 mil caprinos e 240 mil ovinos. Em nível de serviços de atenção veterinária, há duas gerências técnicas, oito escritórios de atendimento à comunidade, oito barreiras fixas e diversas móveis, com efetivo de 64 auxiliares de fiscalização, 17 auxiliares administrativos e nove médicos veterinários.

 

  

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