Sintonia com a realidade de cada região
Ensino e incentivo à atividade econômica andam juntos nos centros vocacionais tecnológicos territoriais. Os Centros Vocacionais Tecnológicos Territoriais (CVTTs), por exemplo, buscam afinidade com a realidade de cada região, potencializando o resultado dos seus trabalhos. A comunidade participa do debate e apresenta as demandas de laboratórios e treinamentos com base na atividade econômica desenvolvida na região.
Dessa forma, os centros se tornam projetos territoriais. Em Tancredo Neves, por exemplo, foi aproveitada a vocação da mandiocultura, e o laboratório oferece treinamento e serviços de análise de solo de forma mais barata e mais rápida. Em Eunápolis, a escolha levou em conta a forte presença da indústria moveleira. Já, em Senhor do Bonfim, a caprino-ovinocultura foi escolhida como foco da unidade. Os centros são usados também para aulas práticas das disciplinas científicas por professores da rede pública.
Aposta nas ações em cidades do interior
Na Bahia, os caminhos da ciência e tecnologia conduzem ao interior. A Secti tem apostado em ações que levam desenvolvimento para fora dos grandes centros. Depois de décadas convivendo com a mutilação de mãos e braços de trabalhadores, a região sisaleira tem agora uma forma segura de manter a atividade tradicional.
Com o apoio do Governo da Bahia, o invento de José Faustino, que fez apenas os primeiros anos da escola formal, já está no campo. É a máquina Faustino V. O equipamento permite que a fibra do sisal, usada principalmente no artesanato e na confecção de cordas, seja retirada das folhas sem risco de perda dos membros. A ideia se tornou exemplo prático de tecnologia social, o que se reflete em ganho direto para a comunidade.
Também no interior, 400 meninos e meninas ganharam nova forma de ver o mundo. São os alunos do Centro de Educação Científica do Semiárido. Duas vezes por semana, os estudantes moradores das áreas com maiores problemas sociais de Serrinha participam de oficinas complementares à escola regular. Eles têm aulas de robótica, meio ambiente e arte.
Os alunos têm formação cidadã por meio da educação científica e aprendem a montar robozinhos, noções de eletrônica e até a produzir desenhos animados. A Escola de Ciências de Serrinha, como acabou ficando conhecida, foi idealizada por Miguel Nicolelis, um dos maiores cientistas brasileiros, e é gerida pela Associação Alberto Santos Dummont de Apoio à Pesquisa.