Estado reúne diversos órgãos para avaliar prevenção a acidentes naturais
Numa ação continuada e preventiva aos acidentes naturais, como a chuva registrada no Sudeste do país e que já causou a morte de mais de 600 pessoas na região serrana do Rio de Janeiro, o governo da Bahia reuniu ontem, no auditório da Casa Civil, na Governadoria, representantes de vários órgãos da administração pública.
As reuniões de trabalho acontecem regularmente, mas, diante dos fatos recentes no Sudeste, a identificação e resolução de possíveis lacunas estão sendo reavaliadas e intensificadas. A Coordenação de Defesa Civil do Estado (Cordec) informou que se trata de ação preventiva, sem necessidade de preocupação por parte da população baiana.
"É um trabalho rotineiro. A decisão do governador Jaques Wagner é que a defesa civil seja uma ação do Estado, com envolvimento de todos os órgãos do governo, seja na questão da chuva, dos incêndios florestais ou da seca. Todos os órgãos são convocados para dar resposta aos desastres, e, sobretudo, atuar na prevenção", afirmou o coordenador da Defesa Civil, Antônio Rodrigues.
De acordo com ele, nos últimos quatro anos, R$ 300 milhões foram destinados à Defesa Civil na Bahia, com recursos próprios do Estado ou viabilizados junto ao governo federal.
Áreas ribeirinhas – "Houve crescimento expressivo nos investimentos. O programa Minha Casa, Minha Vida dá acesso à moradia, na Bahia, a mais de 50 mil famílias, que saem de áreas de risco. Quando colocamos 50 cisternas para captação de água da chuva e mais cinco mil poços artesianos, garantimos a sobrevivência dessas famílias. Tudo isso diminui o impacto nos momentos de crise. O trabalho preventivo, organizado e coordenado é o que permite melhor percepção do risco", observou.
Um dos pontos abordados na reunião foi a identificação das populações mais vulneráveis, como as que vivem nas áreas ribeirinhas. Em razão disso também serão realizados encontros com representantes de todas as prefeituras.
Mudanças climáticas – Segundo a Cordec, existem cinco regimes de chuva no estado. "No sudoeste baiano e em algumas regiões do norte, chove entre novembro e março. Já na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o período chuvoso vai de abril a julho. Com as mudanças climáticas no mundo inteiro, esses regimes oscilam. Por isso, precisamos estar sempre reunidos, discutindo, monitorando o clima e fortalecendo as estruturas do estado para que, no caso de ocorrências, estejamos preparados", disse Rodrigues.
Uma das ferramentas já utilizadas pelo governo estadual para monitorar o clima também está disponível para a população. No site do Instituto de Gestão das Águas e Clima (www.inga.ba.gov.br), uma equipe do Centro Estadual de Meteorologia da Bahia é responsável pelo abastecimento das informações, o que possibilita acompanhar a previsão do tempo das regiões e das cidades, por até três dias, além da situação atmosférica do país.
Instituições terão atribuição preestabelecida
O grupo de trabalho é composto por representantes de órgãos como Embasa, Conder, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Casa Militar, Casa Civil, secretarias da Saúde (Sesab) e de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), Voluntárias Sociais, Derba, Instituto de Meio Ambiente e prefeituras.
Para aprimorar o andamento das medidas preventivas, o Plano Estadual de Contingência das Chuvas prevê a formalização da Comissão Estadual de Resposta aos Danos das Chuvas, onde cada instituição envolvida terá atribuições préestabelecidas em consonância com a Cordec.
O presidente da Conder, Milton Villas-Boas, disse que a primeira resposta à população nos casos de acidentes naturais é de responsabilidade da prefeitura, "fator que não inibe o governo estadual em se antecipar e reunir todas as frentes de trabalho da administração pública em prol da segurança da população. Sob a orientação da Cordec, cada órgão irá interagir com as prefeituras."
Para o diretor geral da Casa Militar, coronel Carlos Augusto Gomes de Souza, as reuniões devem ser ainda mais frequentes. Os encontros acontecerão, a partir de agora, três vezes por mês. "Mas a intenção é que sejam semanais. Queremos unificar o discurso, para que tudo seja feito de maneira integrada", enfatizou.