Florescimento e frutificação do maracujazeiro-amarelo submetido à iluminação artificial, irrigação e sombreamento - Parte 2 (Seagri)

16/08/2006

Florescimento e frutificação do maracujazeiro-amarelo submetido à iluminação artificial, irrigação e sombreamento - Parte 2

 

MATERIAL E MÉTODOS

 

O experimento foi conduzido na área da Escola Técnica Agrícola "Engº Herval Bellusci" de Adamantina, na região da Nova Alta Paulista (453 m de altitude, 21º42’S de latitude e 51º08’W de longitude), no período de abril a novembro de 1997. O solo da área experimental foi classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo, eutrófico, A moderado, textura arenosa/média e apresenta uma topografia ondulada.

 

O clima da região é do tipo Cwa, com estação chuvosa no verão e estação seca no inverno. A precipitação média anual é de 1.300 mm. A temperatura média anual está em torno de 22-23ºC; a do mês mais quente é em torno de 26ºC; a do mês mais frio está por volta de 17-18ºC. A temperatura média máxima está ao redor de 29ºC, enquanto a temperatura média da temperatura mínima é em torno de 17ºC.

 

Adotou-se o espaçamento na cultura de 4 m entre as plantas e 3,5 m entre as linhas, as quais foram orientadas no sentido norte-sul. O processo de condução foi o de espaldeira, com um único fio de arame liso, fixo em mourões de 2,0 m acima do nível do solo, espaçados de 8 m, intercalados com bambu. O delineamento experimental foi o de blocos completamente casualizados, em parcelas subdivididas, com quatro repetições. Os tratamentos corresponderam a quatro sistemas de produção: iluminação artificial/irrigação/sombreamento, iluminação artificial/irrigação, iluminação artificial/sombreamento, iluminação artificial e um tratamento-testemunha, em condições naturais, que foram alocados nas parcelas, e de três épocas de iluminação: 12 de abril, 27 de abril e 12 de maio, que foram alocadas na subparcela. Iluminou-se um dos lados da espaldeira com lâmpadas incandescentes de 100 W (consumo). Foram utilizadas duas lâmpadas para cada subparcela iluminada, ou seja, a cada oito metros, colocadas a 1,5 m do solo, fixadas em mourões e afastadas perpendicularmente a 1,0 m da espaldeira.

 

Iniciou-se o prolongamento do dia com iluminação artificial a partir do dia 12 de abril de 1997 (época 1), quando a cultura se encontrava com cinco meses de idade, no dia 27 de abril (época 2) e no dia 12 de maio (época 3), visando a atingir 12h de luz/dia, e estendeu-se até o dia 16 de setembro de 1997, quando o fotoperíodo passou a ser de 12 horas. Nas épocas citadas, os fotoperíodos são, respectivamente, de 11,7; 11,4 e 11,2 horas. Acrescentaram-se 30 minutos no fotoperíodo, em função do crepúsculo, ou seja, meia hora antes do nascimento e meia hora depois do ocaso do Sol ainda há luz, que possui indução fotoperiódica (Francis, 1970).

O método de irrigação utilizado foi o de microaspersão. A instalação dos microaspersores foi feita nas linhas de plantio, trabalhando a uma pressão de serviço de 15 m.c.a. e apresentando uma vazão de 26 l.h-1. Utilizou-se um turno de rega de três dias, sendo que as lâminas aplicadas foram determinadas de acordo com a evapotranspiração de referência (ET0), obtida da multiplicação da evaporação do tanque Classe A pelo Kp adotado, que foi de 0,75. Como na literatura não se encontram valores de Kc para cada fase da cultura, multiplicou-se o valor de ET0 por 0,7, adotado para a cultura do maracujá, de acordo com Lopes (1995). Toda vez que a quantidade de chuva excedia os valores da evaporação no tanque, a irrigação era suspensa. Os índices de precipitação foram obtidos na Escola Técnica Agrícola e os de evaporação pelo tanque Classe A, obtidos na Estação Agrometeorológica do Instituto Agronômico CIIAGRO, localizada junto ao Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios da Alta Paulista, em Adamantina, localizada a 2 km do local do experimento. Utilizando-se dos dados de precipitação pluvial e da temperatura média do ar, efetuou-se o cálculo do balanço hídrico, com base no método de Thornthwaite & Mather (1955), considerando-se a capacidade de retenção de água no solo de 100 mm.

Para os tratamentos sombreados, foi utilizada cobertura com tela de polipropileno (sombrite), fator de sombra 30%, de cor preta, colocada em uma estrutura com 2,5 m de altura (50 cm acima da espaldeira e as laterais a 50 cm da altura do solo), e dois metros de largura, de forma a proteger a espaldeira.