Florescimento e frutificação do maracujazeiro-amarelo submetido à iluminação artificial, irrigação e sombreamento - Parte 3 (Seagri)

16/08/2006

Florescimento e frutificação do maracujazeiro-amarelo submetido à iluminação artificial, irrigação e sombreamento - Parte 3

 

Avaliaram-se o número de flores abertas, o número de frutos, o pegamento de frutos e a produtividade, em kg/ha. O número de flores foi avaliado no período de maio a outubro, diariamente, no período das 14 às 18 horas, contando-se o número de flores abertas. A avaliação do número de frutos foi realizada colhendo-se os frutos caídos no chão, em intervalos de dois dias, no período de junho a novembro de 1997. Verificou-se a porcentagem de vingamento de frutos, contando-se o número total de flores abertas e polinizadas no período de maio a outubro e comparando-se com o número total de frutos colhidos. Calculou-se a produtividade, em kg/ha, pesando-se os frutos, após serem colhidos, em uma balança de precisão de 0,1g.

 

A análise de variância dos dados foi realizada segundo o procedimento PROC GLM do pacote estatístico SAS, versão 8.0 para Windows. Todos os conjuntos de dados foram testados, antes da análise geral, com a finalidade de assegurar que as quatro prerrogativas básicas da análise de variância (aditividade do modelo, independência dos erros, normalidade dos dados e homogeneidade das variâncias) estavam sendo respeitadas.

 

Os dados de número de flores, número de frutos e porcentagem de vingamento de frutos obtidos foram transformados em log 10 e os de produtividade, em √X e, a seguir, submetidos à análise de variância segundo o teste F. A comparação de médias foi feita com a utilização do teste Tukey.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

Os resultados com o número de flores por planta, número de frutos por planta, porcentagem de vingamento de frutos e produtividade de maracujá são apresentados na Verificou-se que houve diferenças entre os sistemas de produção.

 

Pelos resultados, verifica-se que o sistema de produção com iluminação artificial, irrigado ou não, mas sem sombreamento, produziu maior número de flores, diferindo significativamente dos demais tratamentos (P<0,01). O uso da iluminação artificial, prolongando o fotoperíodo, nos dias com menos de 12 horas de luz, favoreceu o surgimento de flores, mostrando a importância desse fator no processo de floração do maracujazeiro. O resultado reforça os estudos de Philips (1989) quando observou que plantas cultivadas com iluminação artificial, após o ocaso do Sol, podem aumentar a quantidade de flores e também corrobora o de Watson & Bowers (1965) que observaram a ocorrência do florescimento no maracujazeiro com 12 horas de luz, o qual era mais abundante quando suplementado por 4 horas de iluminação artificial. A iluminação artificial, por aumentar o fotoperíodo, tem efeito fotoestimulante, exercendo importante papel no desenvolvimento vegetal. Essa ação da duração do período de luz, conhecida como fotoperiodismo, ocorre mediante o processo fisiológico do sistema fitocromo, que é uma proteína que, como pigmento, tem duas formas intercambiáveis, ativa ou inativa na presença de luz (Pascale e Damario, 2004). Ambas as formas do pigmento fitocromo absorvem luz na região visível do espectro, a inativa na zona do vermelho, em 660 nm, e a ativa na zona do vermelho-longo, em 730 nm. A radiação da iluminação artificial, assim como a faixa do visível da radiação solar, é uma mistura de comprimentos de onda cujo efeito final resulta na transformação da forma inativa para a forma ativa (Galston & Davies, 1972).