Florescimento e frutificação do maracujazeiro-amarelo submetido à iluminação artificial, irrigação e sombreamento - Parte 4
A irrigação, nos tratamentos iluminados sem sombreamento, não modificou o florescimento. Isso pode ser explicado pelos índices pluviométricos que ocorreram durante o período da experimentação, observando-se precipitações maiores que 60 mm nos meses de maio, junho, setembro, outubro e novembro, suficientes para o bom desenvolvimento do maracujazeiro (São José, 1993). A precipitação pluvial de 241,2 mm observada no mês de junho foi excessivamente atípica, pois, de acordo com os dados locais2, a média da precipitação pluvial para um retorno de 40 anos em Adamantina é de 45 mm. Nos tratamentos iluminados com sombreamento artificial, a irrigação prejudicou o florescimento. Possível explicação é o excedente hídrico que ocorreu no mês de junho e a ausência de deficiências hídricas em setembro e outubro, pois plantas de maracujazeiro-roxo, submetidas a um potencial hídrico de – 0,013 MPa, produziram maior número de gemas floríferas e de flores que aquelas submetidas a um potencial hídrico de – 0,003 MPa (Staveley & Wolstenhome, 1990).
A redução da iluminação natural durante o dia, com o uso de tela de sombreamento, produziu menor número de flores, confirmando os resultados de Menzel & Simpson (1988). Esse efeito inibitório observado deve estar relacionado com a redução da taxa de fotossíntese, causada pela redução da luz e da temperatura no ambiente. Durante o período de iluminação artificial, é de se esperar que o uso da tela de sombreamento proporcione no ambiente protegido aumento relativo da radiação difusa, em virtude das múltiplas reflexões da radiação que ocorrem nas plantas, superfície do solo e na própria tela. Embora esse aumento relativo da radiação difusa seja capaz de influenciar no sistema de detecção fotoperiódica, ele não possibilita aumento suficiente da taxa fotossintética que compense a diminuição provocada pelo sombreamento durante o dia (Jones, 1994).
A iluminação artificial aumentou significativamente a frutificação, mas a irrigação não aumentou o número de frutos, quer nos tratamentos iluminados, quer nos tratamentos iluminados e sombreados. As lâminas de água aplicadas não contribuíram para a frutificação do maracujazeiro, devido aos elevados índices pluviométricos verificados no período de experimentação, especialmente no mês de junho. Silva et al. (2004) também não observaram diferenças entre tratamentos irrigados e não-irrigados para número de frutos em maracujazeiro-doce. Os sistemas em que foram utilizados sombreamentos artificiais, produziram menor número de frutos que aqueles que foram iluminados e não-sombreados, mas não diferiu do tratamento-testemunha.
A porcentagem de vingamento de frutos foi significativa para os diferentes sistemas de produção. O tratamento iluminado/irrigado/sombreado apresentou uma porcentagem de fecundação semelhante ao tratamento iluminado/sombreado e foi superior aos demais tratamentos. O uso da iluminação, associado com irrigação e sombreamento, favoreceu a fecundação de flores. Para o fator épocas de iluminação, não houve diferenças entre os tratamentos avaliados.
A produtividade de maracujá foi favorecida pela iluminação artificial, com ou sem irrigação, sendo significativamente superior aos demais sistemas de produção. Philips (1989) verificou que morangueiros iluminados artificialmente aumentaram a produção. A irrigação não teve efeito sobre a produtividade do maracujazeiro. Esses resultados confirmam os de Silva et al. (2004) que, trabalhando com maracujá-doce, não observaram diferenças para rendimento de frutos, em t/ha, mas difere daqueles obtidos por Carvalho et al. (2000) e Lucas (2002) quando observaram aumentos na produção de maracujazeiros submetidos à irrigação. A precipitação observada no mês de junho, atípica para o município, pode explicar a não-contribuição da irrigação nos fatores de produção.
As diferentes épocas de iluminação, (12 e 27 de abril e 12 de maio) não tiveram qualquer efeito sobre as variáveis analisadas, mostrando que independente da época aplicada. Desde que suplementada a iluminação com luz artificial para atingir 12 horas de fotoperíodo, promove o florescimento e a frutificação do maracujazeiro, confirmando os resultados de outros autores (Watson & Bowers, 1965; Meletti, 1996 e Ruggiero & Martins, 1987).