O bambu prova suas utilidades
Organizar toda a cadeia ligada ao bambu, da plantação ao produto final, é o objetivo de um projeto de desenvolvimento sustentável implantado em São Francisco Xavier, um distrito do município de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior do Estado.
As atividades em torno do bambu devem contemplar aspectos sociais e econômicos, e visam à substituição de produtos como a madeira, por exemplo.
O projeto de sustentabilidade econômica poderá incrementar outros setores, além de negócios, pois envolve a pesquisa científica, educação, artes e turismo.
A comunidade de São Francisco Xavier, com sua economia voltada para a agropecuária, será a principal beneficiada, tendo em vista que o bambu é uma nova alternativa de renda para a população, pois possibilita a confecção de artesanato, a fabricação de móveis e a construção de casas populares e até mesmo de escolas.
A América Latina apresenta a maior diversidade de bambus do mundo, mas só há tradição de cultivo e exploração industrial em países como Costa Rica, Equador e Colômbia. No Brasil, as riquezas naturais são muitas, e o País deverá, nos próximos anos, utilizar o bambu de modo ainda mais produtivo e criativo, incluindo-o em projetos de desenvolvimento.
O bambu é usado como fonte de renda na China há 3 mil anos. Lá, essa cultura serve de exemplo, por ser uma atividade econômica que deu certo, empregando cerca de 5 milhões de famílias que geram receitas de US$ 3,5 bilhões anuais.
Para o responsável pelo projeto de São Francisco Xavier, o artista plástico Paulo Roberto Saloni Pires, o bambu permite um desenvolvimento sustentável e atrai investimentos em várias escalas, além de ser cultura que exige pouco do solo, com excelentes índices de produtividade e alta capacidade de seqüestrar o carbono da atmosfera.
Segundo Pires, as atividades em torno do bambu devem ser voltadas principalmente às pequenas e médias propriedades rurais, cujas atividades econômicas já não conseguem concorrer com os grandes empreendimentos agropecuários.
Engenheiro agrônomo e chefe da Unidade de Pesquisa de Ubatuba do Pólo Regional da Agência Paulista de Tecnologia em Agronegócios (Apta), Eduardo Antônio Drolhe da Costa explica: “O bambu pode ser utilizado para tudo, além de ajudar a diminuir o desflorestamento, substituindo a madeira nobre”.
Com aproximadamente 3 mil tipos de aplicação, entre alimentação, medicina, construção civil, artesanato, e paisagismo, o bambu pode ser considerado a madeira do milênio.
Simone Siqueira Carvalho