Serpentes e econegócios (A Tarde)

17/08/2006

Serpentes e econegócios

 

O Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) já presta serviços a empresas, índios e agricultores, inclusive os orgânicos, para transformar a biodiversidade em produto de exportação. Criado com apoio do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade, o CBA está avançando com pesquisas sobre fitofármacos e fitocosméticos e participando na Biofach, maior feira mundial de produtos orgânicos, realizada em Nuremberg, na Alemanha, fazendo bionegócios a partir da preservação da biodiversidade brasileira.

Na era da informação, centros geradores de conhecimento são instrumentos poderosos para a preservação através dos bionegócios. O Instituto (virtual) de Biotecnologia da Bahia, que reúne cientistas, governo e empresários na internet, numa iniciativa de universidades, centros de pesquisa com apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia, é uma realidade. A Rede Nordeste de Biotecnologia – Renorbio (www.renorbio.org.br), criada para apoiar a geração e utilização de avanços da biociência, estimula parcerias para projetos em forma de rede.

A Bahia é o único Estado do País com cinco diferentes biomas, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica mais os biomas Costeiro e Marinho. Capitais naturais à disposição para o uso sustentável. Preservação exige geração de conhecimento e inovação tecnológica.

O serpentário de Itacaré, por exemplo, desenvolvido em articulação com o serpentário da Carolina do Norte, nos EUA, além gerar pesquisa para ajudar na preservação do habitat da temida surucucu, diminui o risco de vida para os nativos e turistas, gerando emprego e renda.

Princípios ativos do veneno de cobra são pesquisados para vários fins terapêuticos, como anticancerígeno e anticoagulante.

Qual será o valor da economia de peçonhas para o Estado da Bahia? Um dos desafios dos centros de conhecimento é transformar preservação em PIB.

Condomínios inteligentes, além de casas, piscinas, asfalto e clubes, podem embutir nos seus pacotes de venda a prospecção de bionegócios nas áreas de preservação.

Ao adquirir o lote, o condômino tem acesso ao plano de econegócios ligado à rede virtual de biotecnologia, cujos bioprodutos, além de ajudar nas despesas do condomínio, podem gerar lucros adicionais para os associados, promovendo a preservação do ambiente onde estão localizados.

Começamos assim a contar a história do nosso futuro.

Recursos do fundo de compensação ambiental, composto por percentual de todo empreendimento que provoque impactos ao meio ambiente, podem ser ampliados quando inteligentemente usados para gerar econegócios, garantindo o lucro social, econômico e ecológico.

Dentro deste espírito, o Cebioma (Centro de Biotecnologia da Mata Atlântica), concebido na Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz), é um instrumento de última geração a serviço da sociedade.

EDUARDO ATHAYDE