Receitas de refresco, doce e geléia
Família especializa-se também na culinária com espécies nativas
No Viveiro Saputá, as plantinhas são multiplicadas principalmente por sementes. Muniz continua perseguindo novas plantas. "Acabei de plantar uma rara, a ameixa-da-restinga." Ele ainda não conseguiu a guaporanga, uma árvore bonita, da mata atlântica, com fruto semelhante à jabuticaba, mas de pele camurçada. Toda a sua família - sua mulher, Emilene, o pai, Jorge Muniz, e a mãe, Elisabete - trabalha no viveiro. Jorge deixou de lado as atividades agrícolas do sítio de 20 hectares para ajudar o filho. A área foi arrendada, à exceção dos 5 hectares ocupados pelo pomar, pelo viveiro e por uma reserva de espécies nativas em formação.
Para manter a propriedade, as mudas são comercializadas a preços entre R$ 8 e R$ 30. Cerca de 300 espécies estão disponíveis para venda, embora muitas em quantidade limitada. Algumas mudas mais raras, como a castanha-de-cipó, da mata atlântica, e a jabuticaba branca são vendidas por R$ 50.
Muniz mantém um site com a relação das mudas, que envia pelo correio. "Muitos preferem vir até aqui." São pessoas que buscam espécies diferentes para incrementar pomares ou enriquecer reservas de matas com frutas nativas.
Emilene e a sogra, Elisabete, especializaram-se na culinária com frutas. Com o murici, fazem geléias e brigadeiros. Usam também o juazeiro-do-norte para preparar compotas. O tamarilo rende um sorvete saboroso. Já o araçá-boi, da família da goiaba, dá um suco e batidas deliciosos.
CULINÁRIA
Alguns frutos, como o ume, espécie de ameixa, e a azeitona-do-ceilão, ficam ótimos em conservas de doces. O abricó-de-macaco serve para suco. As sementes do guaranaí, um guaraná típico do interior de São Paulo, viram refrescos. A framboesa-de-cipó, geléias e compotas. A naranjilha, fruta que se parece com o joá-bravo, serve para doces e sucos, mas rende também pratos salgados.
Muniz plantou também algumas espécies exóticas, como o babaco, um mini-mamão do Equador; o marula, a fruta do licor, e o noni, do Havaí. Em produção, ele tem o doviallis, de origem africana, cujos frutos, pequenos, vermelhos e ácidos, são usados para fazer a bebida campari, e a maçã-de-madagascar, de frutos doces. Seu plano é abrir o sítio à visitação. Além de adquirir mudas, compotas, doces e licores, os visitantes poderão degustar as frutas. "Em qualquer época do ano, tem de 10 a 20 espécies em produção."
SAIBA MAIS:
Sítio Frutas Raras, tel. (0--15) 3256-1852, www.colecionandofrutas.org