Chineses iniciam visitas a fábricas e áreas de plantio de fumo na Bahia
A comitiva chinesa que veio avaliar a possibilidade de liberar a exportação de charutos baianos para a China iniciou ontem uma extensa agenda na Bahia. A programação, que prossegue até a próxima sexta-feira, inclui visitas a áreas de processamento, plantio e laboratórios.
Ontem pela manhã, o grupo participou de um seminário sobre a cadeia produtiva do tabaco e obteve informações referentes à produção de fumo. No início da tarde, a delegação seguiu para Cruz das Almas, dando início às visitas técnicas na região do Recôncavo baiano.
O encontro aconteceu no auditório da Superintendência Federal da Agricultura, no Largo dos Aflitos, em Salvador, com a presença de técnicos do Ministério da Agricultura, fiscais agropecuários, engenheiros agrônomos da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), além de representantes do setor produtivo.
Agricultura familiar – Fruto da missão baiana à Ásia, em abril deste ano, quando o governador Jaques Wagner integrou a comitiva da presidenta Dilma Roussef na visita à China, juntamente com representantes do Ministério da Agricultura (Mapa) e da Secretaria da Agricultura (Seagri), a delegação chinesa conhecerá as ações realizadas pela defesa agropecuária no estado.
Segundo o secretário da Agricultura em exercício, Jairo Carneiro, o esforço feito para exportar o charuto baiano para a China converge com a política do governo estadual de erradicar a pobreza e melhorar a renda do trabalhador do campo. "É uma ação de extrema importância para a agricultura familiar de nosso estado."
Abertura de mercados – Na avaliação do secretário de Defesa do Mapa, Cósam Coutinho, a exportação do tabaco representa a consolidação da qualidade do produto nacional, o rompimento de barreiras comerciais e a abertura de mercados.
Ele destacou o panorama da defesa vegetal no Brasil e a importância da revitalização da cultura do tabaco para a economia agrícola. E lembrou que o país possui 3.359 fiscais agropecuários, uma rede consolidada de laboratórios oficiais e credenciados e 106 pontos de ingresso/egresso, entre aeroportos, portos, fronteiras e estações aduaneiras. "Isso significa segurança sanitária para a nossa produção."
Efeito multiplicador – Para a superintendente federal da Agricultura na Bahia, Maria Delian, a exportação do tabaco terá efeito multiplicador, uma vez que diversos países do mundo conhecerão o produto baiano. "E o trabalho desenvolvido pela Adab contribuiu para o fortalecimento do setor, promovendo um salto qualitativo do produto."
Ações de defesa garantem a qualidade da cultura
Ainda na parte da manhã, a comitiva chinesa recebeu informações detalhadas sobre as ações de defesa realizadas pela Coordenadoria Regional da Adab de Feira de Santana para a cultura do tabaco. As atividades começaram em 2009 com treinamentos de engenheiros agrônomos para a identificação da praga e procedimentos de coleta de amostras.
As ações abrangeram 20 municípios produtores, realizando georreferenciamento, inspecionando todas as linhas de plantio para coleta de amostras e aplicando inquéritos fitossanitários em 10% das propriedades – quantidade 5% superior ao que é exigido pelo Mapa.
"Temos todas as ferramentas necessárias para garantir a qualidade sanitária da produção, auxiliando a sustentabilidade do agronegócio", disse o diretor de Defesa Vegetal da Adab, Armando Sá.
De acordo com ele, para dar suporte às ações de defesa, a Bahia dispõe de 43 barreiras fiscais informatizadas e 23 móveis, além de um centro colaborador de defesa e pesquisa com respaldo científico para as atividades.
Produção concentra-se na região do Recôncavo baiano
Na opinião do secretário executivo da Câmara Setorial do Charuto, Osvaldo da Paz, a celebração do acordo bilateral entre a Bahia e a China é a principal aposta para a reativação do segmento do fumo. "A Bahia produz um dos melhores fumos do mundo, que está livre de doenças como o mofo azul. O acordo vai possibilitar a abertura de mercado, gerando trabalho e renda para milhares de agricultores."
A produção de tabaco na Bahia concentra-se na região do Recôncavo, principalmente em Cruz das Almas. Somente neste município, três mil empregos diretos são gerados.
Em todo o estado, são mais de 12 mil empregos possibilitados pela cultura do tabaco, com predominância da mão de obra feminina – aproximadamente 80% da produção envolve agricultores familiares.
A Bahia produz três tipos de tabaco (Brasil, Sumatra e Cuba), voltados para a fabricação do charuto.