Lixo reciclado vira adubo (Jornal A Tarde)

22/08/2006

Lixo reciclado vira adubo

 

Há pouco mais de um ano, parte dos restos de frutas, verduras e legumes recolhidos na feira da Central de Abastecimento S/A (Ceasa), no Km-5 da Estrada Cia/Aeroporto, em vez de ser levada para o aterro sanitário, é transformada em adubo orgânico. No Parque Socioambiental de Canabrava, no antigo lixão de Salvador, os resíduos de podas de árvores de ruas, praças e parques recolhidos pela Superintendência de Parques e Jardins misturados a esterco animal do Parque de Exposições, depois de passarem pelo processo de compostagem, também viram adubo orgânico, que é usado nos jardins e praças públicas.

São iniciativas de reciclagem que o poder público começa a ter para pôr em prática o que antes estava restrito a ação de organizações não-governamentais e universidades.

A produção de adubo ainda é pequena diante do potencial, levando-se em conta a grande quantidade de resíduos orgânicos do lixo da cidade. De acordo com os dados da Limpurb, 50% das 58 mil toneladas do lixo doméstico recolhidos por dia são de resíduos como restos de frutas, verduras e legumes que poderiam passar pelo processo de compostagem. Resíduos como os da poda de árvores representam apenas 0,03 da composição do lixo da cidade.

Recém-empossado na presidência da Limpurb, o advogado e bacharel em história, Fábio Mota, disse, durante sua primeira visita à usina de compostagem de Canabrava, na sexta-feira, que é prioridade da empresa ampliar os índices de coleta seletiva e da reciclagem dos orgânicos. Ele ressaltou, contudo, que a reciclagem de orgânicos não é um processo simples em grande escala porque requer muita consciência dos cidadãos e muito cuidado para evitar que outros resíduos prejudiciais ao processo se misturem aos orgânicos.

A usina de Canabrava foi criada em 2003 e produz em média, por mês, 5 toneladas de composto a partir do processamento médio de 12 toneladas de material bruto. Para o especialista em gestão de resíduos sólidos, Alberto César de Araújo Leal, esta quantidade é pequena se considerado o potencial de poda. Segundo ele, há muita perda de resíduos de poda principalmente devido à poda clandestina.

“É comum vermos caminhões contratados por particulares para transportar material de poda, que não se sabe para onde vai”, observou.

Na Ceasa, numa área cedida de 10 mil metros quadrados, a compostagem de restos de frutas verduras e legumes é feita há pouco mais de um ano e resulta em três toneladas de adubo orgânico por mês. Segundo o técnico agrícola, Raimundo Cavalcante, para cada mil quilos de composto são necessários 10 mil quilos de material úmido. O material é colocado em pilhas para maturação que pode durar até quatro meses. Nesse período, o material vai se degradando em contato com o ar e com o controle de fatores como a temperatura do material empilhado se transforma em nova matéria orgânica rica em nutrientes minerais como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e além de uma série de micronutr ientes.

Para o presidente da Ceasa, Antônio Carlos Passos, o projeto, que é executado em convênio com a Empresa Torre, contratada para a limpeza predial, deverá ser ampliado para a produção de hortaliças e mudas de espécies ornamentais com o envolvimento de instituições que atuam com pessoas carentes. Embora tenha valor de mercado, a melhor destinação a ser dada ao adubo, segundo Passos, é a social. “Os resultados são melhores”, disse ele.