EUA não oferecem garantias no algodão

18/07/2011

 

EUA não oferecem garantias no algodão
 
 
 
Em discussões concluídas na sexta-feira no Rio de Janeiro, os Estados Unidos não deram nenhuma garantia ao Brasil sobre quando vão cumprir plenamente o acordo envolvendo o contencioso do algodão, o que inclui reduzir "significativamente" subsídios e abrir o mercado americano para a carne bovina brasileira.
 
O governo americano tem que prestar contas ao Brasil a cada três meses sobre como está reduzindo os subsídios ilegais aos seus cotonicultores, conforme acordo pelo qual Brasília não impôs retaliação contra produtos americanos.
 
A delegação brasileira, chefiada pelo embaixador na OMC, Roberto Azevedo, cobrou esclarecimentos sobre as ameaças no Congresso de interrupção da compensação de US$ 147 milhões anuais para cotonicultores brasileiros.
 
A delegação americana, chefiada pelo principal negociador agrícola do USTR (representação comercial americana), Isi Siddiqui, disse que o governo Obama vai continuar gestões no Congresso para manter o pagamento. Mas avisou que se trata de um processo sobre o qual a administração não tem absoluto controle.
 
Azevedo deixou claro que a interrupção do pagamento significaria descumprir o acordo, e a consequência seria o Brasil retaliar produtos americanos, como tem direito pela decisão de juízes da Organização Mundial do Comércio (OMC).
 
Outra questão complicada é na área sanitária. Pelo acordo bilateral, os EUA prometeram colocar em consulta pública até 30 de janeiro deste ano análise de risco sobre exportações de carne bovina maturada da região livre de aftosa com vacinação, processo necessário para liberar a entrada do produto nos EUA. Até agora, os brasileiros continuam esperando.
 
Azevedo reclamou que "a duração do processo americano é excessiva e escapa a qualquer noção de razoabilidade". A delegação americana argumentou que o processo já saiu do Departamento de Agricultura (USDA), uma vez feita a avaliação sanitária. Agora foi para o Escritório de Gestão e Orçamento do governo para avaliação do impacto econômico da abertura dos EUA à carne brasileira.
 
"As conversas por motivos óbvios são sempre muito difíceis, mas há um esforço das duas partes para encontrar soluções que permitem manter o acordo bilateral", resumiu o embaixador brasileiro ao fim do encontro na capital fluminense.
 
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