Caju irrigado do oeste enfrenta doença do caule
A resinose, doença do cajueiro causada pelo fungo L asiodiplodia theobrome, está destruindo a lavoura na região oeste da Bahia. O alerta foi feito pelo pesquisador Francisco Freire, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE).
Ele esteve em Salvador participando do 39º Congresso Brasileiro de Fitopalogia, quando proferiu a palestra “Doenças atuais e potenciais das principais frutíferas e flores ornamentais do Nordeste”.
O pesquisador identificou a resinose em 1991. Os sintomas da doença são a formação de resina em excesso no tronco, próximo à região da raiz, e o ataque aos ramos da chamada podridão-seca. Em visitas à região oeste no ano passado, ele constatou os prejuízos que a resinose vem causando à cultura.
“Umcolega da Embrapa esteve aqui este ano e percebeu que a situação piorou, e os produtores estão cortando o cajueiro e utilizando as áreas para outras plantações ou para criação de gado”, disse.
Roberto Pieczur, diretor-presidente da Cooperativa dos Fruticultores do Oeste da Bahia (Coofrutoeste), confirma que há áreas em que as perdas por causa da resinose chegam a 90%. “Nós solicitamos a vinda dos técnicos da Embrapa, para tentar modificar esse quadro”, acrescenta.
O pesquisador Francisco Freire critica a falta de assistência do poder público e empresas agrícolas regionais à cultura na região. Segundo ele, os técnicos da Embrapa de Fortaleza estão disponíveis para auxiliar os produtores no combate à doença. “Já temos uma variedade do cajueiro resistente à re“Os produtores estão em dificuldade econômica e não conseguem liquidar os débitos junto aos bancos”, conta Roberto. A cultura irrigada do caju na região oeste é a maior do Estado, embora seja recente (início desta década).
FALTA NUTRIÇÃO – O técnico agrícola Josiel de Menezes, que dá assistência a campos da região, acentua que a resinose está ceifando as lavouras do oeste. “Os produtores receberam bem o cajueiro; no primeiro e segundo anos, a cultura fez sucesso. Mas, agora, a resinose tem limitado a produção na área”, ratifica.
Ele observa que Estados como Piauí e Ceará possuem um regime de chuvas adequado ao cultivo do caju e um manejo mais controlado à cajuicultura. “Aqui não, são cinco meses seguidos de chuva, o que favorece a proliferação do fungo causador da resinose”, detalha.
Além do clima, o técnico aponta outros fatores que contribuem para a proliferação da resinose nas fazendas próximas a municípios como Barreiras. “O campo precisa estar sempre bem limpo e a árvore, bem nutrida. Embora os produtos para o tratamento sejam baratos, se a planta não estiver bem nutrida, não adianta, fica sem resistência”, comenta Josiel.
O produtor Ivan Carvalho diz ser o pioneiro do cajueiro anão na região e, por causa da assistência técnica, não tem resinose na lavoura.
“Durante quatro anos, fiz o monitoramento para a Embrapa na região e hoje tenho um índice de 4% da mortalidade das plantas adultas por conta da resinose”, diz, acrescentando que, sem grandes investimentos, o caju é inviável na região. “Há doenças que precisam de aplicação de remédios quatro vezes ao ano”, acrescenta.
* A palavra caju vem do termo acâi-ou (língua tupi), que significa pomo amarelo. Em línguas estrangeiras, é denominado de marañom (espanhol), cajou, anacardier (francês), cashew (inglês), anacardio (italiano). O cajueiro precoce é também conhecido como cajueiro anão,sinose, a BRS-226, usada no Piauí”, acrescenta.
O clone do cajueiro precoce (também conhecido como cajueiro anão), o mais utilizado no Nordeste, é o CP-76, com área plantada de 15 mil hectares no semiaacute;rido e cerrado da região, segundo a Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas.
A Bahia é o quarto produtor nacional do caju, ficando atrás do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
A área plantada na região de Barreiras é de 220 hectares. A projeção comum da colheita é de 30 a 40 toneladas de pendúnculos por hectare, que resulta em quatro toneladas de castanha pela mesma área.
Por causa das doenças que atingem o fruto na região, a perspectiva é que a produção fique apenas em 10 toneladas de pendúnculo por hectare e apenas uma tonelada de castanha por hectare.
JAIR FERNANDES DE MELO