Sucesso na produção movimenta Festival da Cachaça de Abaíra

19/09/2011

Sucesso na produção movimenta Festival da Cachaça de Abaíra

 


Realizado a cada dois anos, o Festival da Cachaça de Abaíra, na Chapada Diamantina, chega à 13ª edição e reúne na cidade até este domingo cerca de 30 mil pessoas, entre turistas, produtores e empresários interessados na cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

Na microrregião, formada também pelos municípios Jussiape, Mucugê e Piatã, mais de sete mil agricultores familiares sobrevivem da atividade.

O festival foi iniciado na terça-feira passada e recebeu ontem a visita do governador em exercício, Otto Alencar, e do ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence.

Tradição – Com o apoio técnico da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) a cachaça de Abaíra é, hoje, a principal atividade econômica da região, representando 70% do mercado interno do município, proporcionando 2,5 mil empregos diretos e 12,5 mil indiretos.

Na Bahia, a produção de cachaça de alambique é uma tradição de 450 anos. A Fazenda Água Suja, por exemplo, há oito gerações de propriedade da família de Ramiro da Luz Pereira, 59 anos, foi fundada em 1660 e produz cana-de-açúcar em cinco hectares.

O agricultor acompanhou a evolução do processo produtivo e conta que, no passado, com 200 litros de caldo de cana, fabricava 15 litros de aguardente. Agora – depois de participar de capacitação oferecida pelo Governo do Estado –, com a mesma matéria-prima, a produção chega a 50 litros. 

Melhor produção – "Antigamente, era mais difícil, por falta de técnica. Nós conseguimos vencer essa dificuldade. A gente tem uma produção muito melhor. O conhecimento vem da assistência que recebemos da EBDA e da experiência dos próprios produtores", afirma Ramiro.

Por orientação dos técnicos, ele planta também feijão, milho e hortifruti como culturas complementares,.

O produtor atribui à agricultura familiar todas as conquistas. "Tudo resultado da cana. Nós, trabalhando juntos, conseguimos vencer. Minha filha é engenheira agrônoma, meu filho se formou em educação física."

 Aproveitamento total – O pequeno produtor José da Silva Souza, conhecido como Zé da Apama – por fazer parte da Associação dos Pequenos Produtores de Aguardente de Qualidade da Microrregião de Abaíra (Apama) –, afirma que, após a capacitação, todos os subprodutos da fabricação da cachaça passaram a ser aproveitados, aumentando o lucro da cultura.

"Não se desperdiça nada. Desde o bagaço à ponta da cana, o vinhoto, que é o que sobra após a destilação, a gente transforma em ração animal, em adubo orgânico e em energia, queimando o bagaço para o aquecimento da própria destilação", diz Zé da Apama.

O vinhoto, segundo o produtor, serve também como herbicida e para evitar carrapatos e moscas nos animais de criação.

Na sua propriedade de um hectare, ele colhe cerca de 60 toneladas de cana por ano, das quais consegue produzir seis mil litros de cachaça. "Temos a cachaça, a rapadura, o melado, o açúcar mascavo, e também a carne e o leite, diretamente ligados à ponta da cana, ao bagaço e ao vinhoto, que são utilizados como ração animal."

 

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