Carne de bode é presença obrigatória em Pernambuco
Esqueça marcas como Nestlé e Danone. A bebida láctea mais vendida no Bompreço (grupo Wal-Mart) de Caruaru, no agreste pernambucano, é a Gutmix, fabricada ali pertinho, em Água Preta, na zona da mata. O café é o Soberano, produzido em Caruaru mesmo. A rapadura vem de Quipapá, também na zona da mata, e a mariola - doce de goiaba típico da região - sai do município vizinho de Bezerros. Os condimentos, especiarias, chás, artigos para festas, achocolatados e guloseimas como "dudu" , apelido local do picolé popular vendido em saquinhos, levam o nome da Kivita, empresa que nasceu pequenininha em Caruaru, há oito anos. Os concorrentes no segmento - Leão, Kitano - nem aparecem nas prateleiras.
"O cliente faz questão de marca", afirma o sócio-proprietário dos supermercados Bonanza e presidente da Associação Comercial de Caruaru, Djalma Júnior. "Mas de marcas locais." Além da fidelidade a produtos conhecidos apenas na região - café Cruzeiro do Sul, milho para pipoca e ração Grão Verde, cuscuz pré-cozido Sinhá - os preços são muito abaixo da média de marcas nacionais.
Em lojas do Bompreço, CompreBem e Atacadão, o cliente também tem acesso a carne de sol e carne de bode, muito apreciadas no Nordeste. No Bonanza, porém, o cliente que preferir uma maior quantidade, pode deixar de lado os pedaços das carnes, embaladas em bandejas, e pedir um quarto ou metade de um bode, ou ainda uma manta de carne de sol.
Segundo Djalma Júnior, mesmo com uma clientela limitada a uma região, a rede tem de estar atenta a peculiaridades de preferência e gosto. Em Garanhuns, por exemplo, a menos de 100 quilômetros de Caruaru, não pode faltar buchada pré-cozida, vendida em embalagem fechada e produzida por um fornecedor local. E representa prejuízo colocar à venda muita carne bovina, diante do hábito de se comprar carnes em feiras.
Angela Lacerda