24/11/2011
Syngenta aposta no segmento de nutrição especial de plantas
Líder no mercado global e brasileiro de defensivos, a Syngenta prepara sua entrada no mercado de nutrição especial de plantas. Ontem, a empresa anunciou, em São Paulo, o lançamento de seu primeiro fertilizante foliar para as culturas de soja e feijão no Brasil.
De acordo com o gerente de novos negócios da multinacional franco-suíça, Marcelo Gregorin, o produto vai disputar um mercado que, nas contas da empresa, movimenta cerca de US$ 700 milhões no país e registrou taxas de crescimento superiores a 16% nos últimos anos. "Nossa meta é alcançar uma venda anual de US$ 100 milhões até 2014", afirma o executivo.
Gregorin diz que o novo fertilizante começa a ser comercializado já na safra de soja 2011/12, que está sendo plantada. A empresa já submeteu pedido para uso nas culturas de milho, algodão e café, com vistas a 2012.
O fertilizante da Syngenta é baseado em um estrato de levedura de cana-de-açúcar. Contém os macronutrientes presentes nos fertilizantes de solo (nitrato, fosfato e potássio) e uma gama de micronutrientes e aminoácidos que, segundo a companhia, asseguram um ganho de produtividade de até três a seis sacas por hectare e maior tolerância a situações de estresse hídrico.
Inicialmente, o composto será fabricado na Argentina, pela multinacional de origem francesa Lesaffre, que atua no segmento de leveduras e fermentos. "Não descartamos produzi-lo no Brasil, mas é preciso encontrar um parceiro capaz de sintetizá-lo", pondera Gregorin.
Apesar da incursão no segmento de nutrição, a Syngenta assegura não ter planos de investir no mercado de fertilizantes de solo, que deve movimentar 26 milhões de toneladas em 2011. "Somos uma empresa de tecnologia e não vamos sair do nosso 'core business'", afirma Gregorin.
Ele explica, ainda, que o produto não substitui o uso de adubos no solo, embora a empresa realize pesquisas nesse sentido. "Os nutrientes especiais funcionam como um complemento. Sabemos que os solos brasileiros, em sua maioria, apresentam baixa fertilidade", afirma.
Em 2010, a Syngenta faturou US$ 11,6 bilhões globalmente - dos quais US$ 8,8 bilhões com a venda de defensivos e US$ 2,8 bilhões com sementes. Para 2015, a companhia projeta um aumento de receita de 46%, para US$ 17 bilhões. No Brasil, a companhia fatura cerca de US$ 1,8 bilhão.