Clima reduz oferta global e cotação dispara

10/01/2012

Clima reduz oferta global e cotação dispara


 

 

O amendoim não custa mais tão pouco quanto antes. O preço saltou para um nível recorde devido ao mau tempo e à severa seca que se abateu sobre algumas das principais regiões de cultivo.

Os preços quase triplicaram nos Estados Unidos em 2011, enquanto na Europa, o maior importador mundial, subiram 60%, uma vez que o setor mundial de amendoim, que movimenta cerca de US$ 18,5 bilhões ao ano, foi atingido pela queda da oferta da Índia, o segundo maior produtor mundial, da Argentina, um dos principais exportadores, e dos EUA.

O amendoim não custa mais tão pouco quanto antes. O preço saltou para um nível recorde devido ao mau tempo e à severa seca que se abateu sobre algumas das principais regiões de cultivo.

Os preços quase triplicaram nos Estados Unidos em 2011, enquanto na Europa, o maior importador mundial, subiram 60%, uma vez que o setor mundial de amendoim, que movimenta cerca de US$ 18,5 bilhões ao ano, foi atingido pela queda da oferta da Índia, o segundo maior produtor mundial, da Argentina, um dos principais exportadores, e dos EUA.
 
A alta da cotação do amendoim foi sentida, mais significativamente, nos Estados Unidos, onde obrigou os varejistas a impor grandes aumentos aos preços da pasta de amendoim - presença constante nos armários de cozinha das famílias e nos fundos assistenciais de alimentos.

Os fabricantes americanos de alimentos, como a Kraft - detentora da marca Planters - e a produtora de pasta de amendoim Jif JM Smucker, aumentaram, no mês passado, os preços de sua pasta de amendoim em 30% a 40%. "As pessoas têm de esperar e passar camadas mais finas de pasta de amendoim, para ela durar um pouco mais, até o ano que vem", disse Bill George, especialista em amendoim do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

O amendoim, uma variedade de leguminosa que se desenvolve no chão, precisa da umidade do solo durante o plantio e a fase de crescimento. Os dois anos de seca incidentes nas áreas de cultivo americanas reduziram drasticamente a qualidade do amendoim usado para a fabricação de salgadinhos e doces, uma vez que as plantas murcharam antes da maturação ou produziram muito pouco.

A produção americana deve ter sido 12% menor em 2011, segundo o USDA, puxando os estoques mundiais de amendoim para os níveis mais baixos em 14 anos.

"Na época de plantio, não apenas o solo estava seco, por ser o segundo ano de estiagem, como também as chuvas que tivemos evaporaram devido às altas temperaturas", disse Don Koehler, diretor-executivo da comissão de amendoim da Geórgia, Estado responsável por quase 50% da produção americana da leguminosa.

A safra também ficou comprometida porque os preços mais elevados do algodão e do milho na temporada de plantio pareciam oferecer melhores retornos para os agricultores. "Foi uma invasão das terras", disse Mark Gravette, diretor da trading de frutas oleaginosas Barrow Lane & Ballard, sediada em Londres.

Os traders preveem que os preços do amendoim continuarão altos nos próximos meses. A supersafra prevista para a Argentina na próxima temporada poderá contribuir para atenuar o déficit de oferta, embora os preços não devam cair significativamente, segundo se prevê.

Na Geórgia, a área voltada para a produção da oleaginosa deverá crescer, num momento em que a retração dos preços do algodão atrai os agricultores de volta para o amendoim.

No entanto, no Texas, o segundo maior Estado produtor de amendoim dos EUA, alguns estimam que o clima quente e seco se estenderá até 2013. "Se não recebermos chuvas, nossa área plantada vai cair ainda mais", advertiu o conselho dos produtores de amendoim do Texas.

A China, maior país produtor do mundo,colheu uma boa safra, cerca de 7% maior que a média anual, e tem preenchido a lacuna. "Estamos comprando da China para abastecer os Estados Unidos", disse Gravette, que acrescentou ter havido falta de amendoim de qualidade no mercado.

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