Tratores pequenos sustentam vendas
O esforço da indústria para adequar os produtos para lavouras com melhor desempenho, especialmente a cana-de-açúcar, vem garantindo fôlego nas vendas internas de tratores (de rodas), que chegaram a crescer 2,4% nos sete primeiros meses em comparação com igual período do ano passado, para 11,2 mil unidades. Por conta disso, os fabricantes estão especializando suas equipes comerciais e confiam que 2006 terá um desempenho semelhante ao de 2005, quando a demanda doméstica ficou em 17,5 mil máquinas.
O problema, neste caso, é que a maior parte da demanda é por tratores de até 99 cavalos de potência, de pequeno porte e portanto de menor valor. Até julho, essa faixa respondeu por 66% das vendas no país, índice próximo dos 68,6% verificados em 2006 e bem acima do patamar de 53% de 2004 e 2003, indicam os dados da Anfavea.
"Nos dois últimos anos as lavouras de grãos respondiam por 45% a 50% do mercado de tratores; hoje representam menos de 30%", constata o gerente de vendas especiais da New Holland, Mario Toigo. Ao mesmo tempo, as plantações de cana passaram de 10% para mais de 25% da demanda, diz. No total, as duas marcas da empresa (Case e New Holland) venderam 2,28 mil unidades nos sete meses, alta de 28,5%.
Segundo Paulo Kowalski, gerente regional de vendas da John Deere, os pequenos e médios produtores familiares que estão sustentando a maior parte das vendas da empresa neste ano, que subiram 8% até julho, para 934 máquinas.
Na AGCO, uma das estrelas de vendas tem sido o chamado "trator popular" de 50 cavalos, relata o gerente de marketing, Paulino Jeckel. Mais simples, a máquina custa pouco mais de R$ 50 mil, cerca de 20% abaixo de outros modelos similares. Segundo ele, o consórcio também está ganhando importância nos negócios graças aos prazos maiores de pagamento (até 120 meses). Desde 2004, a participação desta modalidade de financiamento sobre as vendas passou de 25% para 37%. Até julho a AGCO vendeu 3,42 mil tratores, 14,2% abaixo de 2005. SB