Inseticida botânico contra a broca
Um inseticida botânico produzido a partir da planta Piper aduncum, originária da Amazônia, mais conhecida como pimenta-de-macaco, tem sido eficaz no combate a pragas comuns ao abacaxi, a exemplo da broca-do-fruto, larva de uma pequena borboleta que ataca a inflorescência, cavando galerias e produzindo uma substância com aspecto de goma.
O inseticida foi apresentado na semana passada no Acre, onde foi desenvolvida pesquisa pelo engenheiro agrônomo Murilo Fazolin, da unidade local da Embrapa, para avaliar as plantas da Amazônia com potencial de uso inseticida.
Os testes aconteceram na fazenda do agricultor Cícero Medeiros, cuja lavoura sofria constantemente com a broca-do-fruto. O produto, feito à base da pimentade-macaco, demonstrou eficácia de 70% no combate à praga. “A divulgação dos resultados promissores do controle por meio desse óleo essencial tem por objetivo estimular outros setores de produção”, disse Murilo Fazolin para A TARDE Rural, ressaltando que o inseticida se encontra na fase inicial de demonstração.
*De acordo com os técnicos da Embrapa Acre, o inseticida convencional usado para o controle da broca, além de causar danos à saude do produtor e ao meio ambiente, encarece os custos da produção.
Uma lavoura com 10 mil frutos por hectare pode apresentar perdas de até 37% da produção, ou seja, quase R$ 4 mil de prejuízo a R$ 1 o fruto. Os cálculos foram divulgados pela unidade da Embrapa.
Na Bahia, a novidade anunciada pela Embrapa Acre foi bem recebidarecebida por pesquisadores regionais.“Se aparecer aqui, será ótimo. A broca-do-fruto assola a cultura do abacaxi na região”, disse Augêncio César Ferraz Santos, subgerente de extensão da Gerência Regional da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em It a b e ra b a .
Ele informa que a fusariose é a doença que mais preocupa os produtores da região, mas o inseticida botânico, contudo, não contempla a fusariose. “Não foram ainda realizados trabalhos neste sentido, nossas atividades de pesquisa foram voltadas para o controle de insetos e pragas que são limitantes à produção local de abacaxi”, informa o pesquisador Murilo Fazolin.
O técnico da EBDA diz que os cerca de 1.200 agricultores familiares da região de Itaberaba utilizam inseticidas químicos disponíveis no mercado. A plantação de abacaxi na região, de acordo com Augêncio César, tem a peculiaridade de ser não-irrigada. “É o único abacaxi comercial plantado no semiaacute;rido”, afirma.
Na Bahia, o abacaxi se concentra na região de Itaberaba, líder na produção estadual, com três mil hectares plantados. No cenário nacional, a Bahia fica atrás de Pará, Paraíba e Minas Gerais.