19/03/2012
Fungicida natural contra praga tem eficiência de 97%
Vanessa Alonso
Desenvolvidos especialmente para combater a vassoura de bruxa, conhecida por devastrar as plantações cacauciras do Sul da Bahia desde a década de 80, o biofungicida Tricovab deve ser comercializado em larga escala a apartir do proximo ano.
Após conseguir certificação do Ministério da Agricultura para registro do produto há cerca de um mês a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), planeja lançar edital de concorrência pública no segundo semestre deste ano para que empresas privadas se candidatem a comercializar o produto.
"A comercialização em larga escala envolve registro de patente concorrencia. Nossa expectativa é que tudo esteja pronto no ano que vem."calcula Adonias Castro, chefe do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), vinculado à Ceplac, enfatizando que a eficiência do produto é de até 97% quando aplicado em vassouras e frutos secos depositados no chão e mais de 50% nas plantas ainda verdes que apresentam fungos.
De acordo com Castro, foram mais de dez anos de pesquisa para desenvolver o produto, que promete ser o mais eficaz para a praga desenvolvida até hoje.
Diretor da Agrícola Cantagalo em ltabuna, Jair Macedo vende a amêndoa da cacau para a Indústria de chocolate a mais de 40 anos e atualmente chega a perder em torno de 15% da sua produção, feita em uma área de 2,3 mil hectares, pela infestação da vassoura de bruxa.
Para ele a certificação do Tricovab, representa um grande ganho para os agricultores, "Muita gente desistiu de plantar cacau aqui na região por causa dessa praga. Nos últimos 20 anos, 90% das lavouras foram erradicadas pela vassoura de bruxa, juntamente com outros fatores econômicos.Se essa nova solução for realmente eficaz vai nos trazer fôlego e motivação. Vai gerar mais trabalho e renda para a região", Vislumbra.
Atualmente com a produção em pequena escala feita pela Ceplac, um quílo do bio-fungicida custa R$5, sendo que são necessário dois quilos do produto por hectare de palntação, com quatro aplicações feitas na safra entre maio e agosto. No entanto, com a comercialização em larga escala feita pela iniciativa privada, a instituição ainda não sabe informar qual será o custo para o produtor.
Controle biológico gera menos impactos na lavoura
Além da eficácia prometida pelos pesquísadores,o Tricovab causa menos impactos para o meio ambiente quando comparado ao controle quimico feito com agrotóxico por ser uma forma de controle bioíógico das pragas da vassoura de bruxa.
"Desenvolvemos técnicas de uso de um fungo natural que provoca a não proliferação de outro fungo, que é o Moniliophtora perniciosa, causador da vassoura de bruxa. Ele se alimenta de uma substancia que concorre com o fungo, inibindo sua proliferação".Explica o chefe do Centro de pesquisas do Cacau (Cepec), Adonias Castro, enfatizando que a demora para conseguir o registro se deu pela falta de uma legislação sobre o uso de biofungicidas existente há cerca de quatro anos.
Para o engenheiro agrônomo Eduardo Rode, coordenador da assessoria técnica do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (Crea-BA), o produto reduz os riscos de contaminação do meio ambiente, sobre tudo por conta de descartes de embalagens na natureza, como pode acontecer com os agrotóxicos", o resultado final é mais benéfico ainda que possa vir ser mais caro", defende.
De acordo com ele, é preciso implementar o controle biológico com o Tricovab em conjunto com outras práticas, umas vez que, "a vassoura de bruxa tem capacidade de aumentar sua resistência".
Segundo Adonias Castro, a região cacaueira baiana chegou a produzir 397 mil toneladas de cacau na década de 80, sendo que o início de 90, o número já estava em torno de 320 mil. No ano 2000, a baixa foi ainda maior, com 96 mil toneladas. Na ultima safra, 2010/2011, o valor subiu para 155 mil toneladas.