29/03/2012
Educação ambiental é discutida no VII Fórum Brasileiro em Salvador
O governador Jaques Wagner participou da abertura do evento no Centro de Convenções da Bahia
Professores, estudantes e pesquisadores de todo o Brasil se reúnem em Salvador, até sábado, durante o VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, aberto ontem, no Centro de Convenções da Bahia, com a presença do governador Jaques Wagner. Durante o evento acontece, simultaneamente, a Feira Sustentável, com produtos de todo o território nacional.
Participam do fórum representantes da agricultura familiar e das quatro Reservas Extrativistas (Resex) do estado – a de Canavieiras, a da Bahia do Iguape, em Maragojipe, a de Corumbau, em Porto Seguro e Prado, e a de Cassurubá, que envolve Caravelas e Nova Viçosa.
Conscientização – O governador disse que a parte mais importante da questão ambiental é a conscientização e a educação. "São fundamentais as políticas públicas e o posicionamento do governo, mas se cada indivíduo não tiver no seu comportamento cotidiano a consciência, não há política pública que dê jeito. É preciso que cada um dos sete bilhões de habitantes da terra tenha uma postura proativa."
O fórum também reúne cerca de 200 professores da rede estadual. O secretário da Educação, Osvaldo Barreto, disse que o Governo do Estado está participando ativamente do fórum e possui uma política de educação ambiental consagrada em uma lei aprovada em 2011. "Temos um plano de educação ambiental e estamos em desenvolvimento de atividades em toda a rede de ensino. É uma temática transversal que alcança o currículo de cada escola da rede estadual."
Economia – Ernesto Monteiro é pescador artesanal da Reserva Extrativista de Canavieiras, no sul do estado. Segundo ele, a participação das comunidades tradicionais mostra que o extrativismo contribui para a economia do estado, por meio do material coletado nas marés e na floresta. "A sobra destes produtos é reaproveitada nos artesanatos, como os que estamos expondo. O extrativismo é uma saída para a sustentabilidade ambiental."
Adriana Silva faz parte da Cooperativa de Coleta Seletiva, Processamento de Plásticos e Proteção Ambiental (Camapet). Eles produzem joias a partir de garrafas de PET. "Começamos com uma parceria com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de uma incubadora. Passamos seis meses em sala de aula, aprendendo um pouco de design de joias."
Experiências da Feira Sustentável promovem inclusão social
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, essas experiências expostas na feira são iniciativas de economias socioambientais voltadas para a sustentabilidade. "Este talvez seja o grande desafio que enfrentamos hoje na área ambiental, que é dar efetividade para que as ações de desenvolvimento sustentável se concretizem em melhoria da qualidade de vida para os setores da sociedade que estão fora do processo produtivo e marginalizados."
Spengler afirmou que a educação ambiental envolve a lógica da inclusão social, associando iniciativas de produção de alimentos, vestuário, equipamentos e reciclagem, "demonstrando ser fundamental uma mudança no padrão de produção e consumo. Para isso, é necessário que tenhamos políticas efetivas de redução na quantidade dos recursos naturais utilizados na produção de bens e consumo".
Para o professor da Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb) e coordenador da Feira Sustentável da Agricultura Familiar, Miro Conceição, o mais interessante do evento é a presença, pela primeira vez, da agricultura familiar em um fórum de educação ambiental. Os agricultores estão expondo seus produtos e aprendendo o que é a educação ambiental e como ser multiplicadores deste conhecimento.
Transversalidade – "A proposta é incluir, de forma transversal, a educação ambiental na assistência técnica de extensão rural. Aqui, eles estão tendo oficinas e minicursos, onde aprendem a trabalhar temas simples como o lixo, cuidado com as matas e com as nascentes", afirmou Miro.
Além da Uneb e da coordenação do Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, a iniciativa envolve a Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri), por meio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e da Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf).