Nova estrutura do semiárido baiano pode melhorar convivência com a seca

04/04/2012

Nova estrutura do semiárido baiano pode melhorar convivência com a seca

 
Eduardo Salles visitou locais de acondicionamento da pinha da agave e de subprodutos da planta como a inulina

 

Foto: Divulgação Diário Oficial
Menos de dois meses após receber em audiência um empresário mexicano que demonstrou interesse em investir na Bahia no setor do sisal, introduzindo a planta agave azul e implantando uma indústria processadora no estado, o secretário da Agricultura, Eduardo Salles, visitou os campos de produção e indústrias no México e organizou uma missão com o objetivo de estudar a possibilidade de introduzir a planta nas regiões produtoras de sisal, criando mais uma opção de convívio sustentável com o semiárido.

Cada membro do grupo baiano, composto, além do secretário, por representantes da Câmara Setorial do Sisal, de associações e cooperativas de produtores, dos exportadores de sisal, além de um assessor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), custeou suas despesas.

Segundo Salles, a missão ao México, iniciada há menos de oito dias, pode ser concluída neste fim de semana, com grandes possibilidades de instalação futura de uma indústria mexicana no semiárido baiano.

Economia – A partir da visita a viveiros de mudas e plantios comerciais nas regiões produtoras e nos arredores de Guadalajara, estado de Jalisco, e as diversas possibilidades de industrialização de subprodutos da planta agave azul, como o mel, a inulina, a tequila e o etanol, o secretário considera que a economia de cerca de 20 municípios baianos produtores de sisal pode ser revigorada com a introdução de novas variedades de sisal e a implantação de empreendimentos agroindustriais, integrando os pequenos produtores.

Mais qualidade de vida para o homem do campo

O secretário disse que o Governo da Bahia tem buscado opções sustentáveis visando estruturar o semiárido para conviver com a seca, mantendo o homem no campo com emprego, renda e qualidade de vida.

Em regiões como a do Rio São Francisco, que tem água para irrigação, o foco da Secretaria da Agricultura são as frutas e a cana, seguidas da agroindustrialização, como está acontecendo com a implantação de uma unidade da Casa Valduga em Juazeiro, para produzir sucos, geleias e espumantes, e de uma fábrica da Ducoco, para processar coco.

Etanol – Com relação ao sisal, a Seagri analisa a possibilidade de introduzir a agave azul e avançar na produção de etanol em zonas do semiárido com altitude acima de 700 metros, a exemplo de regiões como a Chapada Diamantina e algumas áreas da região de Campo Formoso e Irecê, que já possuem tradição de produção de sisal.

A ideia inicial é implantar cinco campos experimentais, em parceria da Seagri/EBDA com a Secti, Embrapa e Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), em cinco regiões distintas, inclusive na de Conceição do Coité, com variedades da agave azul e verificar a que melhor se adapta.

Alto valor econômico e nutritivo

A planta agave azul, da mesma família do sisal, é muito utilizada no México para produção de tequila e adoçante. Possui alto valor econômico e é base da economia de vários estados mexicanos. São variedades da planta existentes no México, cada uma com suas características, limitações e exigências. O mel produzido com a agave azul, sem sacarose e rica em frutose, é muito procurado pela indústria alimentícia. A inulina, um pó branco desidratado, que previne o câncer de colo do útero e facilita a digestão, é matéria-prima também para a indústria farmacêutica.

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