Ornamentação, alimento e energia (A Tarde)

11/09/2006

Ornamentação, alimento e energia

 

O girassol, com flor de pétalas amarelas e raiz que pode atingir até um metro e meio de profundidade, serve não só para embelezar o ambiente.
Suas sementes destinamse à produção de óleo comestível, biodiesel e alimento para o gado. No Brasil, três Estados do Centro-Oeste lideram a produção nacional, enquanto na Bahia, uma empresa estatal e outra privada iniciam pesquisas.
“Não existe ainda cultura comercial do girassol e, este ano, a área plantada na Bahia não deve ter passado de nove hectares”, informou Edson Alva, diretor da Divisão de Produção Vegetal da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Segundo ele, a empresa estatal vem realizando pesquisas desde 2003 nas regiões de Barreiras, Bom Jesus da Lapa e Irecê. No ano passado, os experimentos começaram na região de Ribeira do Pombal.
A empresa utiliza 15 técnicos e cerca de dez produtores nesse trabalho, cujo objetivo é acompanhar o comportamento da cultura do girassol em diferentes áreas do Estado e testar as cultivares que melhor se adaptam àquelas áreas. Entre os cultivares testados, o M 734, IAC Uruguai e Agrobel 960 demonstraram maior produtividade: 2,78, 2,66 e 2,64 toneladas por hectare, respectiva mente.
Edson Alva destaca que os resultados foram positivos nos campos do oeste (Barreiras), com colheita em abril, e do nordeste (Ribeira do Pombal), com colheita em novembro. “Essas regiões têm chuvas bem distribuídas ao longo do ciclo da planta”, explica, acrescentando que na região de Irecê, embora as condições climáticas sejam excelentes, a irregularidade na distribuição das chuvas prejudica o cultivo. No municípios de Baianópolis, Barreiras e Wanderley, o girassol serve para rodízio de culturas e é uma opção para os períodos de crise nas lavouras da soja, algodão e milho.
Na Unidade de Demonstração e Experimentação de Ribeira do Pombal, em que a EBDA tem se concentrado mais recentemente, o solo é muito bom para o cultivo de girassol, segundo Edson Alva.
Os testes estão sendo realizados nos municípios de Fátima, Paripiranga, Sítio do Quinto e Adustina.
A empresa não divulgou os resultados com cultivares na região.
No oeste, a Fundação Bahia, mantida pela Associação dos Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba), mantém pesquisas há três anos.
Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Soja, os ensaios testam 12 cultivares.
“Temos feito pesquisas para, quando surgir a demanda, já tenhamos resultados disponíveis.
Com o biodiesel, o interesse dos produtores tem aumentado. Com o preço baixo da soja e do milho, apesar da grande produtividade, eles ficam desanimados e procurando outra alternativa”, justifica o engenheiro agrônomo Pedro Venício Lima Lopes, que desenvolve a pesquisa na Fundação Bahia.
Segundo ele, há cinco anos houve a promessa de instalação de indústrias beneficiadoras do girassol.
Alguns produtores plantaram de 100 a 200 hectares, mas como a promessa não se cumpriu, não ampliaram a área.
O girassol é originário dos Estados Unidos e México, levada para a Europa no século 16. A Rússia iniciou a fabricação de óleo comestível da flor no início do século 19 e o girassol se tornou a principal cultura do País. No Brasil, a literatura especializada começa a falar no girassol a partir da década de 30.
 9,16 milhões de toneladas é a produção de girassol na Rússia; 3,75 milhões na Argentina, e 2 milhões na China.
Fonte: FAO/2004

Jair Fernandes de Melo