Sorvete fermentado de cajá e acerola faz bem

11/09/2006

Sorvete fermentado de cajá e acerola faz bem

 

Probióticos são microorganismos que exercem efeitos benéficos para a saúde do homem. No organismo, têm efeito sobre o equilíbrio bacteriano intestinal, controlando o colesterol e diarréias e reduzindo o risco de câncer.

São encontrados em alimentos industrializados, como leites fermentados e iogurtes. Pesquisas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassunga (SP), mostram sorvetes de frutas, à base de cajá e acerola, como opções para ingestão de microorganismos probióticos.

"Não só no tradicional leite fermentado podemos encontrar os lactobacilos vivos que ajudam a regular o funcionamento intestinal”, diz Carmem Sílvia Favaro Trindade, professora de Engenharia de Alimentos da faculdade.

Lembra que um dos problemas de alimentos com probióticos está no sabor. No processo de fermentação, esses microorganismos produzem ácidos diferentes daqueles aos quais o consumidor está acostumado – como o ácido lático, presente nos iogurtes.

"O cajá e a acerola foram acrescentados para mascarar esse gosto, já que são frutas de sabor forte", afirma a engenheira de alimentos, que também buscou com essa escolha agregar valor nutritivo ao sorvete. "A acerola é rica em vitamina C (há entre 2 mil e 3 mil miligramas em 100 gramas de suco) e o cajá é boa fonte de vitaminas, principalmente a A", informa.

FERMENTADOS – Foram produzidos seis sorvetes fermentados de acerola e 12 de cajá, utilizando culturas probióticas (L actobacillus acidophilus e Bifidobacterium , respectivamente) ou a cultura tradicional do iogurte, para comparar a aceitação pelo paladar. Em ambos os tipos, os sorvetes também diferiam entre si quanto ao pH (4.5 ou 5). A pesquisa mostrou que os sorvetes produzidos são um bom veículo para incorporação de probióticos e com boa aceitação pelo consumidor, que não sentiu diferença entre os produtos elaborados com culturas diferentes de microorganismos.

No total, 140 pessoas, entre funcionários e estudantes, provaram os sorvetes.

Esses organismos inibem bactérias patogênicas por meio de substâncias que tornam o ambiente impróprio para elas. Além disso, quando crescem, produzem vitaminas nos alimentos e no próprio intestino, promovem a digestão da lactose, e previnem infecções urogenitais.

"Estão sendo estudados para muitos usos, inclusive em terapias auxiliares no controle de Aids, por estimularem o sistema imunológico", complementa, lamentando que no Brasil não há muita divulgação dos benefícios da ingestão desses microorganismos. “No Japão estão presentes nos cereais, queijo, e até em salame, pois os japoneses se preocupam mais em consumir produtos que façam bem à saúde", concluiu.