19/06/2012
Commodities Agrícolas
Oferta abundante
A safra recorde projetada para o Brasil continua a pesar sobre as cotações do café arábica, ainda que chuvas tenham atrasado a colheita no país. Os contratos para setembro caíram 50 pontos, a US$ 1,5150 por libra-peso. "O problema é que há oferta abundante de café", disse à agência Dow Jones Newswires o analista Mike Seery, da Seery Futures. Para Márcio Bernardo, analista da Newedge USA, torrefadores substituíram parte do arábica pelo robusta, e agora resta saber se eles voltarão ao arábica. A instabilidade econômica na Europa, que poderia afetar a demanda global de café, ajuda a pressionar os preços do grão. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos do grão ficou a R$ 350,37, com um ligeiro avanço de 0,02%.
Realização de lucros
O cacau registrou a segunda sessão consecutiva de queda na bolsa de Nova York, influenciado por um movimento de realização de lucros. Os contratos com vencimento em setembro recuaram US$ 58 ontem, a US$ 2.189 por tonelada. Em entrevista à agência Dow Jones Newswires, o analista Hector Galvan, da RJ O'Brien, disse que os agentes do mercado não sabem que rumo a amêndoa vai tomar. Segundo Galvan, como as cotações da commodity não conseguiram fechar acima de US$ 2.200 por tonelada pela primeira vez em uma semana, é provável que o mercado teste hoje o patamar de US$ 2.125 por tonelada. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou em R$ 75,67, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Atenção ao clima
Os preços do suco de laranja subiram ontem na bolsa de Nova York, por conta de especulações sobre o clima ruim nos Estados Unidos. Os papéis com entrega para setembro encerraram em alta de 170 pontos, a US$ 1,1090 por libra-peso. Meteorologistas dizem que tempestades em formação no Caribe podem se dirigir ao Golfo do México e chegar aos pomares da Flórida, segunda maior região produtora de citros no mundo - atrás apenas do Brasil. Entretanto, alguns analistas ressaltam que, como a colheita na Flórida já acabou, não há muitos motivos para uma disparada nas cotações da commodity por enquanto. No mercado interno, o preço pago ao citricultor paulista pela caixa de laranja pera in natura ficou a R$ 6,21, recuo de 3,27%, segundo levantamento do Cepea/Esalq.
China ainda influencia
O algodão teve um novo pregão de ganhos em Nova York, ainda sob o efeito das maciças vendas da fibra americana à China (mais de 875 mil toneladas), anunciadas na semana passada. Os contratos para outubro subiram 99 pontos ontem, a 71,87 centavos de dólar por libra-peso. No entanto, o analista independente Mike Stevens disse à Dow Jones Newswires que é cedo para afirmar que houve uma inversão de tendência. "Os fundamentos pessimistas de oferta e demanda ainda estão entre nós", lembrou. Para ele, todos os olhos do mercado estarão voltados para o período de entregas, que tem início em uma semana. No mercado doméstico, a média do indicador Cepea/Esalq para os últimos 8 dias ficou em R$ 1,5086 por libra-peso, alta de 0,90%.