Commodities Agrícolas
Dólar pesa Os preços do café arábica recuaram ontem em Nova York, após a recente elevação de preços por conta do temor com o clima no Brasil. Os papéis para setembro sofreram uma baixa de 210 pontos, a US$ 1,8185 por libra-peso. O grão sentiu o peso da valorização do dólar ante uma cesta de moedas, depois de um discurso decepcionante de Ben Bernanke, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano). Para Hernando de la Roche, analista da INTL FC Stone, ainda é cedo para avaliar os danos causados pelas chuvas às lavouras brasileiras de café. "O mercado está esperando para ver o que acontece", disse à Dow Jones Newswires. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre a mínima de R$ 410 e a máxima de R$ 420, segundo o Escritório Carvalhaes.
Consumo preocupa A valorização do dólar e as preocupações com o consumo na Europa mantiveram as cotações do cacau em baixa ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em dezembro apresentaram um recuo de US$ 4, a US$ 2.212 por tonelada. Os investidores também adotaram uma posição de cautela, à espera dos dados sobre o processamento nos EUA, que serão anunciados amanhã. O banco Barclays acredita que as cotações da amêndoa estão mais propensas a subir por conta do fenômeno El Niño, que pode trazer seca a importantes regiões produtoras do mundo, como o oeste da África. No mercado doméstico, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou a R$ 71, de acordo com um levantamento da Central Nacional de Produtores de Cacau.
Lavouras melhoram Os preços do algodão recuaram ontem na bolsa de Nova York, pressionados por dados divulgados na segunda-feira pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que indicaram melhora na qualidade das lavouras no país. Os papéis para dezembro caíram 225 pontos, a 71,05 centavos de dólar por libra-peso. Segundo o órgão americano, 45% dos plantios tinham boas a excelentes condições até 15 de julho, ante 28% do mesmo período de 2011. Contudo, o Commerzbank disse que a seca em níveis moderados a extremos em 55% dos EUA pode também ter um efeito prejudicial sobre as lavouras daqui para frente. No mercado interno, a arroba em Sorriso (MT) ficou a R$ 48,20, queda de 0,41%, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Ajuste de posições A soja passou por um ajuste de posições ontem na bolsa de Chicago. Os contratos da oleaginosa para setembro avançaram US$ 3,25, para US$ 16,1275 por bushel. "Alguns investidores liquidaram posições para garantir lucros e outros entraram comprando, entendendo que a oportunidade era boa, já que a tendência ainda é altista", explica Steve Cachia, analista da Cerealpar. As previsões indicam que o tempo deve permanecer quente e seco no Meio-Oeste dos EUA nos próximos cinco a 15 dias. "Enquanto continua esse quadro, ainda há espaço para altas maiores. Se começar a chover, a primeira reação será de queda forte, mas ainda não há chuvas nos mapas", conta Cachia. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou a R$ 78,08, alta de 1,73%.