EBDA e pankararés desenvolvem sistema para criar animais silvestres

25/07/2012

EBDA e pankararés desenvolvem sistema para criar animais silvestres


As técnicas desenvolvidas pelos índios, que vivem no Raso da Catarina, incluem a criação de abelhas com e sem ferrão

 

A união do conhecimento indígena e da zootecnia, por meio do trabalho desenvolvido pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), está resultando na criação de animais silvestres, de forma sustentável, pelos índios da etnia pankararé, na região nordeste da Bahia. Eles estão criando emas, cutias, abelhas e tatupebas.

O Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) Indígena da Bahia, implementado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), atende hoje a 13 etnias em 16 municípios da Bahia, onde promove e incentiva ações de pesquisa e assistência técnica.

Emas e cutias – Com o projeto Manejo de Animais Silvestres no Território Indígena Pankararé, a EBDA tem trabalhado para a consolidação dos criatórios de emas e cutias, além da implantação de quatro unidades de manejo de tatupeba, via Coordenação de Pesquisa e do Núcleo de Etnodesenvolvimento.

"A ideia é que as técnicas desenvolvidas pelos pankararés sejam difundidas para as demais etnias do Território de Identidade Itaparica", disse a coordenadora de pesquisa, Marina Castro.

Recursos naturais – Os índios pankararés, que vivem no Raso da Catarina, região nordeste da Bahia, utilizam os recursos naturais como a base material do seu processo produtivo.

A criação de animais silvestres – incluindo abelhas sem ferrão e com ferrão – passou a integrar a atividade de forma participativa. A união de técnicas tradicionais às externas resultou em sistemas locais sustentáveis e integrados.

Pesquisa e assistência técnica

Técnicos, pesquisadores e colaboradores da EBDA desenvolvem, coletivamente, a interação entre pesquisa e Ater, que tem marcado as ações da empresa em áreas habitadas por povos indígenas na Bahia. São atendidas famílias das etnias ankaru, tuxá, atikum, truká, pankararé, xucuru, kantaruré, kiriri, pataxó e pataxó hã hã hãe.

O desenvolvimento das ações tem consolidado o Núcleo de Etnodesenvolvimento, com sede no Centro de Treinamento (CTN) da EBDA, em Salvador, que é apoiado pelo Programa Pacto Federativo desenvolvido pela empresa.

Registro etnográfico do patrimônio

O propósito é o conhecimento quanto à realidade dos sistemas agrícolas e não agrícolas das comunidades, preservando a cultura local e promovendo o etnodesenvolvimento, explica a técnica rural responsável pelo núcleo, Lilane Sampaio.

Segundo ela, o núcleo iniciou, em 2010, o registro etnográfico do patrimônio cultural desses povos, envolvendo ofícios, celebrações, formas de expressão, edificações, entre outros aspectos.

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