Commodities Agrícolas
Maior oferta
O café arábica registrou queda pelo sexto pregão seguido ontem em Nova York. Os papéis com entrega em dezembro recuaram 105 pontos, para US$ 1,66 por libra-peso. O mercado já antecipa um aumento nas vendas do Brasil, maior produtor mundial do grão, que está com 80% da colheita da safra 2012/13 finalizada. Chuvas fora de época prejudicaram os trabalhos para retirar o café do campo e elevaram os preços do grão. Joaquim Ferreira Leite, diretor de exportação da mineira Cooxupé (maior cooperativa de café do mundo) disse à Dow Jones Newswires que cerca de 30% dos grãos em algumas áreas foram perdidos em termos de qualidade. No mercado interno, o preço da saca de 60,5 quilos o café de boa qualidade oscilou entre R$ 390 e R$ 400, segundo o Escritório Carvalhaes.
Influência externa
Os preços do cacau subiram ontem em Nova York, embalados pelo resultado melhor que o esperado para o Produto Interno Bruto (PIB) de alguns países da zona do euro. Os papéis para dezembro avançaram US$ 42, a US$ 2.441 por tonelada. Drew Garaghty, da corretora Icap, disse à Dow Jones Newswires que os traders continuam a observar com atenção o desenvolvimento do fenômeno climático El Niño, que pode agravar as condições de seca no oeste da África, onde estão os maiores produtores mundiais da commodity. Há ainda o temor de que a violência na Costa do Marfim possa interromper os investimentos no cultivo. No mercado doméstico, a média da arroba em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou a R$ 74, de acordo com informações da Central Nacional de Produtores de Cacau.
Egito e clima pesam
Um movimento de realização de lucros pressionou o trigo negociado nas bolsas americanas. Em Chicago, os contratos para dezembro encerraram em queda de 17,50 centavos ontem, a US$ 8,5825 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento recuaram 16 centavos, a US$ 8,7675 por libra-peso. Segundo Vinícius Ito, analista do Jefferies Bache, em Nova York, o Egito anunciou a compra de 120 mil toneladas da Rússia e da Ucrânia a preços mais baratos, o que colaborou para derrubar a commodity. As cotações também caíram devido a chuvas inesperadas em Kansas. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos no Paraná permaneceu estável, a R$ 30,42, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral).
Ainda o tomate
O IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) - vinculado à Secretaria da Agricultura do Estado -, encerrou a primeira quadrissemana de agosto com variação positiva de 0,86%. Foi a nona alta consecutiva do indicador, novamente influenciada por valorizações médias tanto no grupo formado por 14 produtos de origem vegetal (0,91%) quanto no composto por seis produtos de origem animal (0,74%). Entre todos os produtos pesquisados, o que mais subiu no intervalo foi, uma vez mais, o tomate para mesa (57,34%), cuja oferta foi afetada por adversidades climáticas. Em seguida aparece o milho (15,23%), diretamente influenciado pela disparada no mercado internacional.