Commodities Agrícolas
Dólar pressiona
A valorização do dólar ante uma cesta de moedas pressionou os preços do café arábica ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com entrega em março de 2013 sofreram perdas de 575 pontos, a US$ 1,7255 por libra-peso. "Ainda há uma preocupação com o crescimento da demanda pelo grão, em função do cenário macroeconômico", disse Márcio Bernardo, da Newedge USA, à Dow Jones Newswires. Na avaliação do analista, as negociações devem continuar a "andar de lado", já que os cafeicultores brasileiros seguem disciplinados e seguram as vendas, à espera de melhores preços - o alvo parece ser o patamar de US$ 1,80 por libra-peso. No mercado doméstico, a saca do café de boa qualidade oscilou entre R$ 400 e R$ 415, de acordo com o Escritório Carvalhaes.
Ainda os furacões
A temporada de furacões no oceano Atlântico ainda traz algum risco aos pomares da Flórida (que detém a segunda maior produção de citros do mundo, atrás do Brasil), mas o enfraquecimento da demanda e os temores em relação ao crescimento econômico mundial pesaram mais sobre o suco de laranja negociado na bolsa de Nova York. Assim, os contratos com vencimento em janeiro de 2013 registraram ontem uma ligeira desvalorização de 5 pontos, a US$ 1,2490 por libra-peso. A expectativa é que os prêmios de risco climático já comecem a ser retirados dos preços da bebida. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias saiu por R$ 7,01, de acordo com levantamento feito pelo Cepea/Esalq.
Demanda fraca
O algodão voltou a cair na bolsa de Nova York, após dois pregões seguidos de alta. Os papéis com vencimento em dezembro recuaram 119 pontos ontem, para 75,22 centavos de dólar por libra-peso. Dados decepcionantes sobre as exportações americanas da fibra refletiram nos preços. Na semana encerrada em 13 setembro, os EUA acertaram a venda de 211,9 mil fardos, mas ainda aquém dos 317,5 mil fardos negociados na semana anterior. Números pessimistas sobre o setor de manufatura da China (maior consumidor mundial de algodão) colaboraram para puxar as cotações para baixo. No mercado doméstico, a arroba da pluma ficou a R$ 51,91 no oeste da Bahia, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Mau humor
O trigo devolveu os ganhos da última sessão e fechou em baixa ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os contratos para dezembro recuaram 2,25 centavos, a US$ 8,9150 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento caíram 0,25 centavo, para US$ 9,2125 por bushel. Shawn McCambridge, analista do Jefferies Bache, disse à Dow Jones Newswires que o trigo foi abatido, como a maior parte das commodities, pelo mau humor financeiro. O temor de que o produto americano esteja perdendo espaço no mercado para o cereal produzido em outros países ajudou a puxar para baixo as cotações. No mercado interno, a saca de 60 quilos ficou a R$ 34,01 no Paraná, alta de 0,35%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).