01/10/2012
Commodities Agrícolas
Sob pressão Os preços do algodão fecharam a sexta-feira em queda na bolsa de Nova York. Os contratos para entrega em dezembro recuaram 88 pontos e encerraram o mês a 70,65 centavos de dólar por libra-peso. A commodity sofreu ainda sua primeira desvalorização mensal desde maio em meio a sinais de que a oferta será maior do que a demanda na safra 2012/13, reflexo da queda do consumo na China. "Com a colheita no Hemisfério Norte ganhando força, o mercado finalmente ficou sob pressão", disse Peter Egli, diretor de gerenciamento de risco da Plexus Cotton, segundo a Bloomberg. "A tendência de curto prazo é baixista", ratificou. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o pagamento à vista ficou praticamente estável na sexta-feira, a R$ 1,5674 por libra-peso. No mês, caiu 5,31%.
Cenário baixista Os preços do suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ) devolveram os ganhos da sessão anterior e fecharam a sexta-feira em queda na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em janeiro recuaram 150 pontos, para US$ 1,1340 por libra-peso no fim do dia. Além do dólar forte, a contínua retirada dos prêmios de risco climático têm pesado sobre as cotações da bebida. Analistas reforçam que a commodity tem um cenário baixista, já que a temporada de furacões na Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros global) está perto do fim e não trouxe, ao menos até o momento, nenhuma grande ameaça. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias permaneceu em R$ 7,02, de acordo com levantamento d o Cepea/Esalq.
Cobertura de posições O cacau registrou na sexta-feira a segunda alta consecutiva em Nova York. Os papéis para março encerraram com ganhos de US$ 34, a US$ 2.530 por tonelada. Sterling Smith, analista do Citi, disse à Dow Jones Newswires que a valorização se deveu a uma cobertura de posições vendidas por parte de especuladores. Há ainda preocupações com o excesso de chuvas nas regiões produtoras da América do Sul, que poderia dificultar a colheita e o escoamento da safra. Smith prevê que os preços alcancem US$ 2.830 por tonelada no quarto trimestre, caso a demanda na Europa (principal consumidor mundial de chocolate) se recupere. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou a R$ 71,83, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Clima chuvoso As chuvas que caem sobre as regiões produtoras de café arábica do Brasil (principal fornecedor mundial da commodity) voltaram a pressionar os preços do grão em Nova York. Na sexta-feira, os contratos para março fecharam em queda de 75 pontos, a US$ 1,7750 por libra-peso. De acordo com Thiago Cazarini, da Cazarini Trading, a demanda internacional pelo arábica tem se mostrado mais ativa, sobretudo para embarques de dezembro em diante. Ele diz que alguns compradores, no entanto, ainda estão à espera de preços mais baixos para suprir suas necessidades de curto prazo, e que o mercado ainda está "sem um padrão claro" de movimentação. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 390 e R$ 400, segundo o Escritório Carvalhaes.