Fotos de satélite acusam devastação (A Tarde)

26/09/2006

Fotos de satélite acusam devastação

 

Em um mês de análise de imagens de satélite, fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Eunápolis detectaram 500 hectares de Mata Atlântica desmatados nas regiões sul e extremo sul.
Somente em Belmonte, foi encontrado uma área de remanescentes equivalente a 99 campos de futebol.
Foi o maior em área contínua já identificado nos últimos três anos no extremo sul do Estado, segundo o órgão ambiental. A descoberta foi possível graças à comparação de fotos de satélite, que começou a ser feita no último dia 24 de agosto.
A ferramenta usado pelo Ibama são as imagens obtidas no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe – www.inpe.br) no link catálogo de imagens do satélite Cbers. “Com a comparação das fotos, podemos localizar áreas que dificilmente seriam descobertas”, revelou o coordenador de fiscalização da gerência do Ibama em Eunápolis, André Santos.
Foi o caso da fazenda de propriedade de Laerce Benardes Machado, que foi multado num total de R$ 200 mil, pelo desmate de 99 hectares, dos quais 11 em área de preservação permanente (APP). A vegetação, neste local, estava em estágio médio de regeneração, no qual as árvores têm altura média de 5 a 12 metros, com diâmetro entre 8 e 18 centímetros, informou Santos.
A área, que fica no distrito de Santa Maria Eterna, no município de Belmonte, também foi embargada.
Segundo Santos, a comparação de fotos de satélite deu mais agilidade e precisão à fiscalização.
“Antes, só contávamos com os olhos das pessoas das comunidade, era eficiente, mas não era o bastante.
Com esse trabalho, descobrimos muitas áreas que não haviam sido denunciadas”, avaliou Santos, explicando ainda que o trabalho é feito com a análise de imagens do satélite Landsat (Americano), de 2001, comparadas com as imagens do satélite Cbers (parceria entre Brasil e China), de 2005.
“Esse foi o primeiro levantamento, por isso não temos como constatar se houve um aumento ou não nas áreas de desmate”, explicou.
De acordo com o coordenador do Ibama, ao todo, foram localizados 70 pontos de supressão de mata entre os municípios de Canavieiras, Prado e Itamaraju, nas regiões sul e extremo sul, onde estão os maiores remanescentes de Mata Atlântica do Estado. “Um trabalho similar já vem sendo desenvolvido na Amazônia desde 1994 e resultou numa redução de 11% de áreas desmatadas”, revelou José Augusto Tosato, gerente do escritório regional do Ibama em Eunápolis.
Dos 70 pontos de desmatamento, 30 foram vistoriados, onde se constatou o total de 500 hectares de mata destruídos sem autorização do Ibama. Parte deles já tinha sido convertida em pastagens para gado bovino. As áreas foram embargadas, o que significa que os proprietários têm que deixar o terreno livre de qualquer atividade produtiva para a regeneração da mata. Segundo André, o maior número de pontos está no município de Belmonte, na região conhecida como Cantagalo.
A Mata Atlântica é, depois da Amazônia, a maior floresta tropical do Brasil. É um dos cinco principais biomas do planeta, concentrando a maior biodiversidade de espécies por hectare, cerca de 10 mil espécies, riqueza que fez com que a Unesco declarasse este bioma Reserva da Biosfera e Patrimônio da Humanidade.
DANOS IRREVERSÍVEIS– De acordo com André Santos, do Ibama, os remanescentes existentes de Mata Atlântica, que foi reduzida a 5% do que existia originalmente, são pequenos, não ultrapassando 100 hectares. “Essa destruição causa um dano irreversível ao meio ambiente, principalmente à fauna, que, além de já possuir pouco espaço físico, com a derrubada de matas, está tendo um distanciamento cada vez maior entre os remanescentes.
Eles acabam ficando isolados nesses pequenos remanescentes, onde a comida passa a ficar cada vez mais escassa também”, disse o coordenador do Ibama, André Santos.
- “Essa destruição causa um dano irreversível ao meio ambiente, principalmente à fauna, que, além de já possuir pouco espaço físico, com a derrubada de matas, está tendo um distanciamento cada vez maior entre os remanescentes , ficando isolada“ André Santos, coordenador de fiscalização do Ibama.

MARIA EDUARDA TORALLES