27/11/2012
Commodities Agrícolas
Oferta do Brasil A previsão de que um elevado volume de café proveniente do Brasil "inunde" o mercado mundial no próximo ano, em meio à retenção das vendas do ciclo 2012/13 do país e a expectativa de ampla safra também em 2013/14, colaborou para pressionar os preços da variedade arábica ontem em Nova York. Os papéis para março encerraram em baixa de 190 pontos, a US$ 1,4890 por libra-peso. Além disso, a demanda segue enfraquecida. "Os dois lados da indústria não estão dispostos a se mover: os produtores seguem quietos e os torrefadores visam níveis de preços ainda mais baixos", afirmou Thiago Cazarini, da Cazarini Trading, à Dow Jones Newswires. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 350 e R$ 360, segundo o Escritório Carvalhaes.
Geadas preocupam A continuidade da adição de um prêmio de risco climático aos preços do suco de laranja, diante da proximidade do inverno nos EUA - e o temor de que as lavouras de citros da Flórida venham a sofrer com geadas -, segue a impulsionar a bebida em Nova York. Os contratos para março fecharam ontem em alta de 140 pontos, a US$ 1,2790 por libra-peso. Apesar da valorização, o suco não parece ter força para romper os US$ 1,30 por libra-peso. Boyd Cruel, analista da Vision Financial, disse à Dow Jones Newswires que as cotações podem voltar ao patamar de US$ 1 por libra-peso, caso nenhuma ameaça do clima se materialize até meados de dezembro. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias permaneceu estável, a R$ 6,47, segundo o Cepea/Esalq.
Demanda aquecida O algodão devolveu as perdas de sexta-feira e subiu ontem na bolsa de Nova York, em meio a sinais de aumento do interesse pela fibra dos EUA. Os papéis com vencimento em março encerraram em alta de 119 pontos, a 72,62 centavos de dólar por libra-peso. "Definitivamente, a demanda teve uma recuperação", disse Andy Ryan, analista da FCStone, à agência Bloomberg. Segundo ele, as indústrias da Ásia foram às compras no final de semana. Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou a venda de 397,75 mil fardos de algodão na semana até 15 de novembro. No mercado doméstico, a arroba da pluma saiu por R$ 49,93 no oeste da Bahia, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
América do Sul no foco As preocupações de que o clima possa ficar menos favorável na América do Sul e a forte demanda impulsionaram a soja ontem em Chicago. Os contratos para março fecharam com um ganho de 9,25 centavos, a US$ 14,1225 por bushel. "Os operadores estão receosos e acreditam que ainda é preciso que mais chuvas caiam sobre o Brasil. Na Argentina, o problema é o excesso de umidade", afirmou Glauco Monte, consultor da FCStone. Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou ontem a venda de 20 mil toneladas de óleo de soja para destinos desconhecidos, o que colaborou para dar suporte à soja em grão. No mercado interno, a saca em Sorriso (MT) ficou em torno de R$ 65, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).