29/11/2012
Commodities Agrícolas
Especuladores em ação O café arábica, que começou a sessão de ontem em queda em Nova York, apresentou uma recuperação espetacular pouco antes do fechamento. Os contratos para março encerraram em forte alta de 570 pontos, a US$ 1,5485 por libra-peso, turbinados por compras de fundos e investidores especulativos, diante da percepção de que o mercado estava sobrevendido. Em nota reproduzida pela Dow Jones Newswires, o Rabobank projetou que os preços do grão podem avançar no início do próximo ano. "Nossa perspectiva para 2013 é de que os usuários finais aumentem as compras para recompor estoques, o que irá dar suporte ao mercado", afirmou. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou a R$ 350,51, em elevação de 0,61%.
Realização de lucros Um movimento de realização de lucros derrubou o suco de laranja ontem em Nova York. Os contratos para março fecharam em forte baixa de 215 pontos, a US$ 1,2375 por libra-peso. Existe o temor de que a aproximação do inverno nos EUA traga geadas à Flórida (que detém o segundo maior pomar citrícola do mundo), mas não há ameaça climática concreta neste momento, o que levou os agentes a optar por colocar no bolso os lucros com as recentes altas. Boyd Cruel, analista da Vision Financial Markets, disse à Dow Jones Newswires que a commodity pode cair abaixo de US$ 1 por libra-peso, caso não haja nenhum problema com o clima até meados de janeiro. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias caiu 0,62%, a R$ 6,43, segundo o Cepea/Esalq.
América do Sul em foco Os preços da soja cederam ontem em Chicago, pressionados por realizações de lucros após três sessões seguidas de alta. Os contratos para março fecharam em baixa de 2,50 centavos, a US$ 14,35 por bushel. De acordo com Pedro Dejneka, analista da Futures International, já há preocupações reais com uma possível redução de produção na América do Sul devido ao clima. "Chove demais na Argentina e, no Brasil, o problema é a falta de umidade", afirmou. A demanda ainda está firme. Ontem, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou a venda de 290 mil toneladas da oleaginosa para a China. No mercado interno, a saca está em torno de R$ 70 em Rondonópolis (MT), segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Estiagem nos EUA As cotações do trigo avançaram pela sexta sessão consecutiva ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os contratos para março tiveram uma valorização de 2,75 centavos, a US$ 8,9125 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento subiram 3 centavos, para US$ 9,3625 por bushel. O temor com o solo seco nos EUA, onde as lavouras do cereal de inverno estão recém-plantadas, ajuda a impulsionar os preços. Contudo, a notícia de que a Ucrânia continuará a exportar a commodity, apesar de já ter atingido o limite imposto pelo governo, pode impedir avanços mais significativos nas cotações. No Paraná, a saca recuou 0,25%, para R$ 35,22, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral).