15/02/2013
Commodities Agrícolas
Piso em 30 meses O açúcar demerara devolveu ganhos e fechou ontem no menor patamar em 30 meses na bolsa de Nova York, pressionado pelo dólar fortalecido ante uma cesta de moedas. Os contratos com vencimento em maio fecharam em forte baixa de 43 pontos, a 17,77 centavos de dólar por libra-peso - o menor valor desde 9 de agosto de 2010. De acordo com analistas, ordens de venda foram disparadas nesse patamar de 18 centavos de dólar, o que ajudou a derrubar as cotações. A ampla disponibilidade mundial do produto é fator adicional de pressão (a Organização Internacional do Açúcar estima um superávit de 6,2 milhões de toneladas na temporada 2012/13). No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou a R$ 48,11, em alta de 0,48%.
Volta às compras O algodão foi impulsionado ontem em Nova York pela volta das compras, depois que a fibra testou o patamar de 80 centavos de dólar por libra-peso, mas resistiu. Os papéis para maio fecharam em alta de 58 pontos, a 82,79 centavos de dólar por libra-peso. Sharon Johnson, da Knight Futures, disse à Dow Jones Newswires que os preços devem se sustentar nas próximas semanas. Segundo ela, o mercado está atento à pesquisa de intenção de plantio que será divulgada em março pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O Conselho Nacional de Algodão do país prevê uma área de 3,64 milhões de hectares esse ano, queda de 27% ante o ciclo passado. No oeste da Bahia, a arroba da pluma ficou a R$ 59, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Vendas frustrantes A melhora do clima na América do Sul, que sofria há semanas com a seca, e dados frustrantes sobre as exportações dos EUA fizeram a soja devolver ganhos ontem em Chicago. Os contratos para maio fecharam em queda de 5 centavos, a US$ 14,0850 por bushel. Na semana encerrada em 7 de fevereiro, os EUA venderam 454,2 mil toneladas da oleaginosa, bem aquém das 1,66 milhão de toneladas da semana anterior, informou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). "Além disso, voltou a chover no Rio Grande do Sul e na Argentina, o que não resolveu a situação de seca, mas trouxe certo alívio", disse Vinícius Xavier, consultor da FCStone. Em Sorriso (MT), a saca ficou cotada a cerca de R$ 44, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Pressão externa A comercialização de trigo pelos EUA na semana até 7 de janeiro ficou em 706,3 mil toneladas, acima do intervalo de 225 mil a 375 mil toneladas esperado pelo mercado, mas o cereal não resistiu e caiu ontem nas bolsas americanas, na esteira de soja e milho. Em Chicago, maio fechou em baixa de 3,5 centavos, a US$ 7,4025 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento recuaram 5,25 centavos, a US$ 7,8675 por bushel. O retorno da umidade às Grandes Planícies dos EUA - região que concentra a produção de trigo no país e que enfrentava uma seca -, é fator adicional de pressão para as cotações. No Paraná, a saca de 60 quilos foi negociada a R$ 40,39, em queda de 0,96%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).