Ataque de lagartas derruba a produção de soja do oeste baiano

18/02/2013
Ataque de lagartas derruba a produção de soja do oeste baiano
 
 
 
A lagarta Helicoverpa Zea, popularmente conhecida como lagarta da espiga de milho, está preocupando sojicultores do oeste do Estado. Da safra em curso ainda não existem estimativas de perdas gerais, porém, em algumas regiões os sojicultores se dizem assustados com a dificuldade de combatê-la.
 
Produtor da zona rural de Luis Eduardo Magalhães, João Ryzik disse que, embora esteja persistindo na aplicação de inseticida, as lagartas já estão derrubando as palntas de soja. “Está de um jeito que nunca tinha visto antes”.
 
De acordo com o assessor de agronegócio da Associação de agricultores e Irrigação da Bahia (Aiba), Ernani Sabai, a praga causou um prejuízo severo na safra 2011/2012 de algodão e soja.
 
“Principalmente porque os produtores, em geral demoraram um pouco para confirmar de qual lagarta se tratava a infestação”, disse.
 
Outro fator que continua afetando a produção, de acordo com Sabai, é a resistência desta praga aos princípios ativos existentes no mercado.
 
Ele explicou que existem novos produtos de combate à Hellicoverpa Zea, mas esses dependem de aprovação do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento(Mapa) para serem vendidos.
 
“ A idéia é agilizar este processo para que inseticidas é agilizar este processo para que inseticidas com princípios ativos com os resultados esperados possam ser utilizados pelos produtores, diminuindo as perdas”, afirmou. Ele ressalvou que legalmente o produto aprovado para o milho não pode ser usado em outras culturas.
 
O pesquisador da Embrapa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Algodão, Julio Cesar Bogiani, explica que a hipótese mais provável para o ataque da Hellicoverpa Zea  é a redução de outros tipos desse inseto.
 
“Há canibalismo entre as lagartas. Quando a Hellicoverpa Zea competia com as outras, perdia. Era inexpressiva. Genes inseridos em plantas de algodão, milho e soja as tornam resistentes a essas outras lagartas, só que esse complexo de genes não afasta a lagarta de espiga do milho”.
 
Bogiani explica que é difícil detectar a praga. “ A lagarta fica escondida comendo a planta. Ela não gosta de folha, vai para a estrutura reprodutiva, como a vagem. Então você vê a planta bonita por fora, mas depois percebe parte da produção faltando”.
 
Prejuízo no algodão
 
Os prejuízos da praga são superiores a R$300 milhões no oeste do Estado. As perdas são menores no milho, cultura que o inseto originalmente atacava, mas que possui duto especifico de combate.
 
O analista de agronegócios Edson Campos explica que pragas, como a Hellicoverpa Zea, e os preços baixos foram os fatores que mais influenciaram na migração, em terras brasileiras, de áreas de algodão para soja, cultura que alcançou preços muito favoráveis no ano passado.
 
No oeste da Bahia as reduções da área plantada com algodão na safra atual foram de 31%. Desses, cerca de 11% substituíram a pluma pela soja. O restante da área que deixou de ser plantada com algodão, foi ocupada por culturas como feijão, eucalipito, frutas e pastagens para pecuária.
 
A lagarta Hellicoverpa Zea foi responsável pela redução estimada em 9,8% na produção do algodão no cerrado baiano na safra passada, quando foram colhidas 1.184.670 toneladas.
 
Na cultura do algodão as perdas médias foram de 20 arrobas por hectare na safra 11/12. Nessa safra, a produtividade média foi de 204 arrobas por hectare, segundo a Associação Baiana dos produtores de Algodão (Abapa).
 
O engenheiro agrônomo Luiz Almeida salienta, no entanto, que foi muito acima dessa média de 20 arrobas em certas áreas, enquanto em outras as lavouras nada sofreram ainda.
 
Edson Campos avalia esse prejuízo como muito sério para os cotonicultores que, em grande parte, ainda estavam se recuperando das perdas financeiras que tiveram com o preço mínimo do produto, estacionado há 10 anos no Brasil, e os baixos preços que a pluma tem alcançado no mercado internacional.
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