Mata devastada em Gongogi (A Tarde)

06/10/2006

Mata devastada em Gongogi

 

Fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e a Polícia Ambiental de Ilhéus flagraram, na manhã de ontem, o maior desmatamento em área contínua no sul da Bahia.
São cerca de 200 hectares de Mata Atlântica devastados, em estágios inicial e médio d e regeneração, junto a cursos de água e nascentes, nas fazendas ConjuntoMonte Belo e Conjunto Itagibá da Liberdade, com mais de 800 hectares.
As fazendas, situadas na região do Riacho do Mandu, município de Gongogi, distante de Salvador 396 km, são de propriedade de Eugenildo Almeida Nunes, morador e comerciante no município de Ubatã, onde ontem não foi localizado.

Os fiscais embargaram a área e prenderam o gerente das fazendas, Heloísio Matias dos Santos, que foi levado para a Delegacia de Proteção Ambiental em Ilhéus.

Segundo o analista de fiscalização do Ibama, Raimundo de Paiva, parte da degradação atingiu áreas de cacaueiros em sistema de cabruca, onde foram suprimidas espécies nativas da Mata Atlântica, inclusive pequizeiros, que são imunes ao corte. Paiva não tem um cálculo da quantidade de madeira cortada nem o valor. Muita madeira já havia sido retirada do local, mas ainda foi encontrada grande quantidade de toros, sem beneficiamento, e tocos com vestígios de serragem, um indicativo de que a madeira levada para venda foi beneficiada no local.

O fazendeiro Nunes tem um histórico de multas por crimes ambientais, segundo Paiva. Ele é proprietário de cerca de 2 mil hectares, em 12 fazendas nos municípios de Gongogi, Ubatã e Ibirataia, nos quais, nos últimos cinco anos, promove desmatamentos para fazer pastagem. Segundo o fiscal, Nunes havia sido notificado e se comprometeu a acompanhar a operação, mas não apareceu e enviou o gerente, Heloísio dos Santos, que acabou preso em flagrante.

 

ANA CRISTINA OLIVEIRA